Caminhos da Água: seminário reúne especialistas para discutir crise hídrica, saneamento e futuro dos rios no Brasil

Encontro foi realizado neste manhã, no Museu do Amanhã.

Por Marcus Tavares

Caminhos da Água reúne especialistas no Museu do Amanhã para debater crise hídrica, saneamento, saúde e educação, com destaque para o impacto do programa Esse Rio é Meu

O seminário Caminhos da Água, realizado, hoje, no Museu do Amanhã, reuniu especialistas, gestores públicos, pesquisadores e jornalistas para discutir um dos temas mais urgentes da atualidade: a relação entre água, desenvolvimento e sustentabilidade. Ao longo da manhã, o evento estruturou-se em torno de quatro mesas temáticas que abordaram, de forma complementar, os desafios do saneamento básico, os impactos na saúde e na educação e a necessidade de repensar o papel dos rios como patrimônios ambientais, culturais e históricos.

Além das mesas, a programação incluiu momentos de interação com o público e apresentações de algumas escolas da Secretaria Municipal de Educação, reforçando o caráter educativo e mobilizador do encontro (clique aqui e confira).


A programação foi aberta com as apresentações de Afonso Borges e de Silvana Gontijo, que contextualizaram o cenário global da crise hídrica e apresentaram os fundamentos do programa Esse Rio é Meu. Em sua fala, Silvana Gontijo, escritora, jornalista e idealizadora do programa Esse Rio é Meu, destacou o caráter estruturante da água para a vida no planeta e a necessidade de uma abordagem integrada, que articule educação, meio ambiente e mobilização social:

“A gente está vivendo um momento em que a água deixou de ser apenas um recurso natural para se tornar um dos principais eixos de disputa no mundo contemporâneo. Quando falamos de crise hídrica, não estamos falando apenas de escassez, mas também de emergência e até de falência hídrica em alguns territórios. A água é poder, ela atravessa questões de gênero, de desigualdade, de desenvolvimento econômico e de saúde pública. E é por isso que a educação precisa estar no centro dessa discussão. O Esse Rio é Meu nasce justamente dessa compreensão: de que é possível transformar a relação com a água a partir da escola, da escuta ativa das comunidades e do engajamento das crianças e dos jovens.”

Ao apresentar a trajetória do programa, ela também ressaltou os impactos concretos já observados nas escolas e nos territórios onde a iniciativa atua: “Quando olhamos para os resultados, eles vão muito além da conscientização. Vemos impactos no IDEB, na saúde das crianças, na relação com o meio ambiente, na recuperação de rios e até na economia local. Isso acontece porque o projeto não é algo imposto, ele é construído com as escolas, a partir dos problemas reais de cada território. Trabalhamos com metodologia, com formação de professores, com acompanhamento e, principalmente, com cuidado — cuidado com as pessoas, com o planeta e com o futuro.”


“E esse é o pulo do gato”, destacou Afonso Borges, presidente do Conselho do planetapontocom: “O pulo do gato é fazer com que educação e meio ambiente, educação e interação com o planeta estejam sempre sintonizados. Queremos que essas inovações, uma vez testadas, monitoradas e avaliadas com bons resultados, sejam sistematizadas e disseminadas para se transformar em uma tecnologia social. Porque esse é o nosso objetivo: que todo esse esforço ganhe escala e seja transformado em política pública, impactando e qualificando a educação pública brasileira. Hoje já são 343 rios e córregos do estado do Rio de Janeiro sendo trabalhados pelo programa, com a participação de 1.894 escolas municipais”, destacou.

Na sequência, a primeira mesa — mediada pela jornalista Miriam Leitão — discutiu as conexões entre saneamento, educação e desenvolvimento econômico (clique aqui e confira).

Já a segunda mesa, sob mediação de Sarah Cozzolino, aprofundou os impactos do saneamento na saúde pública e no cotidiano das populações (clique aqui e confira).

A terceira mesa, conduzida por André Trigueiro, ampliou o debate ao tratar os rios como patrimônios hídricos, históricos e culturais (clique aqui e confira).

O encontro foi encerrado com um painel de jornalistas, que sistematizou as discussões e apontou caminhos a partir dos temas abordados.

Ao final do evento, Silvana Gontijo fez um balanço emocionado da iniciativa, destacando sua dimensão simbólica e prática: “O evento de hoje foi um marco. A gente conseguiu, para além de apresentar o que é o Esse Rio é Meu, como ele é feito e como vem acontecendo nas escolas, demonstrar o impacto em diferentes áreas, como economia, saúde, além da ambiental e educativa, claro — economia, saúde e cultura. E trazer pessoas de peso para falar sobre isso foi muito importante, porque os elogios que estão sendo feitos a tudo que foi dito, como foi dito, e à curadoria são enormes. Eu ainda não consegui processar, de tão feliz e emocionada que eu estou. As escolas que se apresentaram deram um show maravilhoso, um trabalho lindo, e eu estou aqui ainda com aquela sensação de estar um pouco nas nuvens.”

Mais do que um espaço de diagnóstico, o seminário se consolidou como um ponto de convergência entre diferentes áreas do conhecimento e setores da sociedade, indicando que enfrentar a crise hídrica exige não apenas investimentos e políticas públicas, mas também engajamento coletivo, educação e uma transformação profunda na forma como a sociedade se relaciona com a água.

Logo no início da programação, Silvana Gontijo prestou uma homenagem a sete mulheres que ajudaram na implementação, acompanhamento e solidificação do programa Esse Rio é Meu: RosisKa Darcy, Ana Lúcia Barros, Renata Suraide, Bianca Mathiesen, Denise Cruz e Tâmara Motta.

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