Crise climática exige protagonismo da sociedade, afirma jornalista Jamil Chade em encontro sobre água e saneamento

Encontro acontece no Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas.

Encontro promovido pelo planetapontocom reuniu jornalistas, especialistas e representantes do setor de saneamento para discutir o papel da sociedade na proteção dos rios e na crise climática

No Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, o planetapontocom promoveu um encontro com jornalistas da imprensa carioca para debater a urgência da crise climática e o papel da sociedade civil, da mídia e do setor de saneamento na construção de soluções para a crise ambiental. O evento foi organizado pelo jornalista e escritor Jamil Chade, correspondente internacional baseado em Genebra, e pelo planetapontocom.

Falando de Genebra, Chade destacou que a água ocupa hoje um lugar central no debate global sobre desenvolvimento e sustentabilidade. Para o jornalista, “a água é o bem comum mais precioso da humanidade” e a discussão sobre saneamento está diretamente ligada a uma série de desafios contemporâneos de ordem ambientais, sociais e de saúde pública.

“Não podemos apenas nos resignar diante desses problemas. A sociedade precisa assumir um papel de protagonismo”, afirmou. Para Chade, ações como as desenvolvidas pelo programa Esse Rio é Meu têm ainda um significado simbólico mais amplo. “Salvar um rio é também um ato coletivo de reconquista do espaço público.”

Segundo ele, iniciativas que envolvem estudantes e professores na proteção dos rios representam uma nova forma de mobilização social. “Projetos que envolvem crianças e escolas funcionam como uma espécie de tecnologia social, capaz de transformar a relação da população com o território.”

Foi o que apresentou Silvana Gontijo, jornalista, escritora e idealizadora do programa Esse Rio é Meu, iniciativa de educação ambiental que mobiliza escolas públicas em torno da recuperação de rios urbanos, patrimônios hídricos, sob o patrocínio da concessionária Águas do Rio. A empresa integra o grupo Aegea, uma das maiores companhias privadas de saneamento do Brasil, responsável pela gestão de serviços de água e esgoto em diversos estados e por investimentos em infraestrutura e projetos socioambientais nas regiões onde atua.

De acordo com Silvana, o programa Esse Rio é Meu tem ampliado significativamente sua atuação ao incentivar que estudantes investiguem e desenvolvam ações de cuidado com os rios mais próximos de suas escolas e comunidades.

Atualmente, a iniciativa já alcança números expressivos. Ao todo, 343 rios e córregos vêm sendo acompanhados por estudantes de 1.894 escolas públicas, envolvendo diretamente 48.277 professores e 771.826 alunos. As ações acontecem em diferentes regiões do estado, incluindo os municípios do Rio de Janeiro, Japeri, Queimados, São Gonçalo e São João de Meriti, fortalecendo a educação ambiental e promovendo o protagonismo de estudantes e professores na preservação dos rios urbanos.

Também participaram da conversa nomes reconhecidos do jornalismo e da ciência, como o jornalista Ancelmo Gois e a médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo, que reiterou, mais uma vez, a importância do saneamento como direito da população e dever do Estado.

Saneamento é saúde: entrevista com Margareth Dalcolmo

O debate contou ainda com contribuições dos especialistas José Paulo Azevedo, do publicitário e embaixador do Esse Rio é Meu, Lula Vieira, e de Maurício Andrés Ribeiro, que lança, em breve, seu mais recente livro: “Hidrosofia”. Para Maurício, em um cenário global marcado por mudanças climáticas, eventos extremos e desafios crescentes no acesso à água, compreender o papel desse elemento na vida humana tornou-se uma tarefa essencial para educadores, estudantes e para a sociedade como um todo. Mais do que um recurso natural, a água atravessa a história das civilizações, estrutura culturas e sustenta os ecossistemas que garantem a vida no planeta.

“A Hidrosofia é um termo que ainda não está nos dicionários, mas que pulsa em seu significado: é o saber sobre a água. “Hidro”, do grego, para água. “Sofia”, para sabedoria. É um chamado para ir além do racionalismo puro. Não se trata de substituir a Hidrologia – a ciência que estuda as águas -, mas de complementá-la. Enquanto a Hidrologia nos dá os dados, as medições, os modelos matemáticos, a Hidrosofia nos convida a olhar para a nossa relação com essa substância. A motivação para criar o conceito surgiu da percepção de que a água, além de um recurso econômico, é uma riqueza e um patrimônio que precisam ser cuidados e protegidos. É uma força que estrutura civilizações, molda culturas e inspira pensamentos e emoções”, destacou.

clique aqui e saiba mais sobre o livro

Representando o setor de saneamento e responsabilidade socioambiental, também estiveram presentes Tatiana Vaz Carius, diretora institucional da Aegea; Tâmara Motta, gerente de Responsabilidade Social da Águas do Rio; Marcella Gonçalves, supervisora de Responsabilidade Social da empresa; e Renan Mendonça, diretor executivo da Águas do Rio.

clique aqui e leia entrevista concedida por Tâmara Motta

Tatiana destacou que o papel da Aegea/Águas do Rio, no Rio de Janeiro, é cumprir o contrato estabelecido. Segundo ela, a empresa chegou para transformar a realidade do Estado, por meio de regras e metas mais claras e objetivas. Mas não é só isso. “Há também um viés social que vai muito além. E é nisso que a gente se engaja. Se engaja nesta agenda que é complementar e diferencial. É a razão de a gente estar aqui”, frisou.

O encontro reforçou a importância de ampliar o diálogo entre comunicação, ciência, educação e políticas de saneamento para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, destacando o papel estratégico das escolas e da informação qualificada na mobilização da sociedade.

0 0 votos
Avaliação
Inscrever-se
Notificar de
guest

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Cadastre-se e receba nossa news

Você pode gostar de: