
Fotos de André Luiz Mello
Qual é o poder de uma narrativa? E de uma narrativa infantil? Que o digam os escritores e as crianças. No último dia 24, estudantes da Escola Municipal Guararapes Cândido, localizada no bairro do Cosme Velho, Zona Sul do Rio, receberam a escritora e jornalista Silvana Gontijo, que resolveu lançar, na própria unidade escolar, a coleção de seis livros da Turma do Planeta.
“É muito diferente lançar livros numa livraria. É uma relação do escritor com o futuro leitor, leitora. O que aconteceu na escola foi emocionante. Estava diante de crianças que estavam ali presentes com outras crianças, aprendendo, ouvindo, participando e interagindo”, comemora.

Ao lançar a coleção, Silvana contou algumas histórias da turma, formada por oito crianças, seis animais e uma árvore chamada Jequitibá, que vivencia diferentes aventuras, promovendo o sentimento de união, harmonia e cuidado com a natureza.
De acordo com Silvana, os personagens da Turma do Planeta foram inspirados nas vivências que ela teve com as crianças da própria unidade escolar, ao desenvolver atividades educativas, no início dos anos 2000.
“Neste sentido, a minha presença na escola foi muito simbólica. Meu desejo ali era retribuir para aquela comunidade que tanto me inspirou o resultado do trabalho. Foram as crianças da Guararapes Cândido que me inspiraram a reunir na Turma do Planeta características tão singulares”, conta.

Celebrando o Dia Mundial da Água
O lançamento da coleção também teve o intuito de celebrar o Dia Mundial da Água. No início dos anos 2000, Silvana desenvolveu, de forma voluntária, alguns trabalhos com professores e estudantes da escola. Um deles teve como objetivo a conscientização da importância da recuperação do Rio Carioca, proposta que deu origem, inclusive, ao programa Esse Rio é Meu.
“Naquela época, fizemos um trabalho muito legal de conscientização e pertencimento. Em linhas gerais, as crianças descobriram que qualquer descarte que faziam no Rio Carioca desembocava na praia do Flamengo que elas frequentavam. Foi o caso da boneca de uma estudante da escola, encontrada na praia. Entenderam que as ações impactavam o próprio território delas, bem como o lazer”, recorda.

No evento, Silvana contou a história do último título da coleção ‘Um rio que canta e encanta. A turma corre contra o tempo para interromper a poluição que ameaça o Rio Carioca. Diante do rastro de devastação deixado por uma nova tempestade, os amigos aprendem a importância da união, da resiliência e da busca por soluções sustentáveis. Enfrentando obstáculos aparentemente intransponíveis, eles descobrem que a força da amizade e o poder da ação coletiva podem superar qualquer desafio.
“Estar ali lançando a coleção da Turma do Planeta em comemoração ao Dia Mundial da Água me deu uma sensação de colheita, de uma semeadura de longo prazo, de longuíssimo prazo, mas que foi bem cuidada, regada e nutrida, na primeira escola com a qual trabalhei a ideia de recuperação de um rio, o Rio Carioca”, conta.

Do livro para o muro
Além da contação das histórias da turma, a escola também ganhou um outro presente: Tigo, grafiteiro, produtor cultural e rapper, deu vida a um dos muros da escola. Ele reproduziu os personagens da Turma do Planeta. “Foi mágico. É muito emocionante ver e sentir os encontros dos sonhos realizados. O meu, de compartilhar o conhecimento artístico e cultural, e o da Silvana, de lançar a coleção na escola, cujas crianças lhe inspiraram tanto. É muito importante as crianças conhecerem o seu território e terem o sentimento de pertencimento de uma história”, destaca.
Tigo tem uma conexão grande com o entorno da escola. Desde 2009, vem desenvolvendo ações culturais de forma independente e coletiva. Realizou junto a amigos moradores, artistas e produtores de diversas partes do Rio de Janeiro o Guararap’s, festival da cultura urbana no Morro dos Guararapes. “A arte pode, sim, modificar lugares e pessoas, apresentando ideias e culturas que direcionam para a construção de algo tão esperado”, conta.

Saiba mais sobre a coleção (Editora Autêntica)
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Em Como tudo começou, primeiro volume da série, conta a história dos amigos da turma que se interessam em descobrir como tocar o didgeridoo – um instrumento musical de sopro pouco conhecido no Brasil. Mas, para isso, eles precisam se aventurar fora da cidade e descobrem o mundo mágico da Floresta do Beija-Flor Azul, onde aprendem a viajar no tempo através da música e conhecem os aborígenes australianos
Já em O enigma do trocano, o personagem Zeca, repórter do jornal da escola, ganha de presente um trocano e, para aprender a tocar o instrumento em um lugar tranquilo, vai à Floresta do Beija-Flor Azul com seus amigos. Nesse vale mágico, a turma faz uma viagem no tempo que muda tudo que eles pensavam saber sobre os povos originários do Brasil e sobre como sentir os sons.
As descobertas continuam em Sonhando acordado, terceiro volume, no qual a Turma do Planeta resolve investigar mais sobre o passado do rio Carioca, abrigado pela Floresta do Beija-Flor Azul. Influenciados pela lenda contada por cacique Moabaetê, eles voltam no tempo através da música outra vez e veem, de perto, como os portugueses não foram bons para os indígenas brasileiros, que tiveram de abandonar suas terras, nem para as nossas riquezas naturais, que, aos poucos, foram devastadas.
O desequilíbrio ambiental provocado pela poluição é o tema do quarto livro. Em Agitando a galera, a Turma do Planeta se depara com um cenário preocupante após uma grande tempestade. Começam, então, uma força-tarefa para recuperar o curso d’água utilizando todos os recursos disponíveis a fim de informar e sensibilizar a comunidade sobre os perigos da degradação do meio ambiente e a importância de preservá-lo.
Com o movimento “Carioca, o rio do Rio”, a Turma do Planeta conquista um grande feito em Nas águas do tempo, o quinto volume. Ao serem convidados para a roda de conversa do programa de Palé Rezende, uma youtuber e apresentadora com grande visibilidade no país, os amigos se deparam com perguntas desafiadoras e percebem que ainda têm muito a aprender. Determinados a fornecer respostas completas e embasadas, a turma decide embarcar em uma nova aventura para desvendar os mistérios por trás da poluição do rio.
Por fim, em Um rio que canta e encanta, os jovens se veem correndo contra o tempo para interromper a poluição que ameaça o rio Carioca. Diante do rastro de devastação deixado por uma nova tempestade, os amigos aprendem a importância da união, da resiliência e da busca por soluções sustentáveis. Enfrentando obstáculos aparentemente intransponíveis, eles descobrem que a força da amizade e o poder da ação coletiva podem superar qualquer desafio. Nesse livro, o personagem principal é o Rio Carioca. É ele que lamenta os ataques que vem sofrendo e exige respeito proclamando: ‘Se não for assim, juro, prefiro secar’. Resta à Turma fazer tudo para atender ao pedido do seu rio.
Ilustrados porMirella Spinelli, os personagens da Turma do Planeta mostram a possibilidade da convivência harmônica na diversidade e as vantagens da colaboração em contraponto à competição, tendo o lúdico como estratégia para construir conhecimento.