Por Marcus Tavares
Projeto desenvolvido pela professora Andreia Rodrigues dos Santos aproxima estudantes da realidade local e do Rio Quitungo e desperta consciência ambiental desde os primeiros anos escolares

Uma experiência pedagógica que uniu alfabetização, investigação e educação ambiental transformou o Rio Quitungo em um poderoso instrumento de aprendizagem para alunos do 1º e 2º anos da Escola Municipal Marcílio Dias. Desenvolvido entre março e abril de 2026, em alusão ao Dia Mundial da Água, o projeto “Rio Quitungo: Conhecer, Investigar e Preservar” levou 25 estudantes a observarem, questionarem e refletirem sobre o território onde vivem. As atividades fazem parte do Programa Esse Rio é Meu.
O programa Esse Rio É Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos corpos hídricos da cidade.
Idealizada pela professora Andreia Rodrigues dos Santos, a iniciativa teve como principal objetivo desenvolver a consciência ambiental, fortalecer o sentimento de pertencimento à comunidade e estimular as habilidades de leitura, escrita, oralidade e investigação a partir de situações concretas do cotidiano.

Mais do que um conteúdo escolar, o Rio Quitungo tornou-se objeto de pesquisa, espaço de descoberta e elemento central de uma proposta pedagógica que conectou os estudantes às questões ambientais presentes no entorno da escola.
A proposta partiu das discussões realizadas em torno do Dia Mundial da Água. A partir delas, as crianças foram incentivadas a olhar com mais atenção para a realidade da comunidade, identificando problemas ambientais e compartilhando experiências vividas por suas famílias.
“As falas dos estudantes revelaram conhecimentos prévios, preocupações e percepções sobre a realidade local, transformando o cotidiano em objeto de estudo”, explica a professora Andreia.


Para desenvolver o projeto, foi organizada uma sequência de atividades que integrou diferentes linguagens e metodologias. Os alunos participaram da exibição de vídeos educativos, rodas de conversa sobre os impactos das chuvas na comunidade, atividades de leitura e escrita, além de uma aula-passeio às margens do Rio Quitungo.
Durante a visita, observaram a cor da água, a presença de lixo e esgoto, as áreas de vegetação e os sinais de assoreamento do rio. As descobertas foram registradas e posteriormente compartilhadas em sala de aula.
Ao longo do processo, os estudantes assumiram um papel ativo na construção do conhecimento. Além de levantar hipóteses e compartilhar suas observações, participaram da elaboração de cartazes, mensagens e textos voltados à conscientização ambiental.



Segundo a professora, o envolvimento das crianças foi um dos aspectos mais marcantes da experiência. “Os alunos participaram ativamente durante todas as etapas do projeto. Demonstraram curiosidade e interesse ao investigar o território, compartilhar experiências pessoais e discutir os problemas ambientais presentes na comunidade”, afirma.
A iniciativa também reforçou a ideia de que a alfabetização pode acontecer de maneira significativa quando está conectada às vivências dos estudantes.


Entre os principais resultados observados estão a ampliação da consciência ambiental, o fortalecimento do vínculo dos alunos com a comunidade, o desenvolvimento da leitura, da escrita e da oralidade em situações reais de comunicação e o aprimoramento das capacidades de observação, investigação e reflexão crítica.
A experiência também favoreceu a compreensão da função social da escrita e o desenvolvimento do protagonismo infantil. “O Rio Quitungo deixou de ser apenas um elemento da paisagem para se tornar tema de pesquisa, reflexão e produção de conhecimento”, destaca Andreia.

Para a educadora, a escola tem um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes e participativos. “Mais do que aprender a escrever, os alunos foram convidados a ler o mundo ao seu redor, compreender seus desafios e imaginar possibilidades de transformação, exercitando desde cedo sua cidadania e seu compromisso com o lugar onde vivem.”
O trabalho desenvolvido na Escola Municipal Marcílio Dias ultrapassou os limites da sala de aula e também ganhou espaço na Semana da Alfabetização promovida pela 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
A professora Andreia apresentou a experiência para outros docentes em um importante momento de troca de saberes e fortalecimento das práticas pedagógicas entre profissionais da rede.

O retorno recebido evidenciou o potencial inspirador da iniciativa. Entre os comentários dos colegas, destacaram-se frases como: “Vou pesquisar meu entorno”, “Nunca olhei por esse ponto de vista” e “Adorei ouvir uma professora que vive a realidade e falou do ambiente escolar de forma clara e leve”.
A repercussão reafirma a potência de práticas pedagógicas que valorizam o território, aproximam a escola da comunidade e mostram que a aprendizagem ganha ainda mais sentido quando nasce da realidade vivida pelos próprios estudantes.




