Por Marcus Tavares
Mãos que reciclam: projeto desenvolvido no âmbito do Programa Esse Rio é Meu envolve estudantes do 4º e 5º ano em ações de coleta, separação e encaminhamento de materiais recicláveis.
Na Escola Municipal Filadélfia, localizada em Marambaia, em São Gonçalo, falar sobre preservação ambiental tem promovido um sentido cada vez mais concreto entre estudantes, professores e a comunidade do entorno: o pertencimento. Desde o primeiro semestre, a unidade vem participando do Programa Esse Rio é Meu, iniciativa que busca aproximar as escolas de seus territórios e estimular o envolvimento de todos na valorização e preservação dos patrimônios hídricos.

Na escola, o programa é desenvolvido com as turmas 402, 503 e 502 e está sendo articulado a outras iniciativas realizadas. Entre elas está o projeto Mãos que Reciclam, que transforma a separação de resíduos em uma experiência prática de aprendizagem.
A proposta envolve os estudantes em todas as etapas do processo: coleta, separação, organização, pesagem e encaminhamento dos materiais para a reciclagem. Durante as atividades, eles aprendem a identificar diferentes tipos de resíduos, como papel, plástico e metal, e a compreender que aquilo que muitas vezes é visto apenas como lixo pode ganhar novos usos e retornar à sociedade.

Mais do que ensinar a separar materiais, o projeto procura colocar os estudantes como protagonistas. Ao participarem diretamente das ações, eles são estimulados a desenvolver atitudes de responsabilidade, cooperação, cidadania e cuidado com o espaço onde vivem. “Pequenas atitudes podem contribuir para grandes transformações é uma das ideias que orientam a iniciativa. Nesse sentido, a experiência de colocar a mão na massa ajuda a aproximar o conteúdo trabalhado em sala de aula dos desafios presentes no cotidiano dos alunos”, explica a professora Estefany dos Santos Souza, professora que está à frente das atividades.
A relação com o território é outro aspecto importante do trabalho desenvolvido. Em vez de destacar, neste primeiro momento, um único rio, as atividades relacionadas ao Programa Esse Rio é Meu consideram os rios próximos às casas dos estudantes. A escolha permite que o tema faça parte da realidade cotidiana das crianças. E mais do que isso: os rios deixam de ser elementos distantes e passam a ser observados a partir das experiências dos próprios alunos. E das famílias. Familiares e demais integrantes da comunidade escolar também têm participado das ações, ampliando o alcance das propostas para além da sala de aula.

Formada em Pedagogia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Estefany acredita que a presença do programa Esse Rio é Meu na escola contribui para reforçar e incentivar a conscientização sobre as questões ambientais. “A expectativa da direção é que esse processo provoque mudanças concretas no cotidiano da unidade: menos lixo dentro dos muros da escola, maior conscientização e, principalmente, uma nova maneira de enxergar aquilo que antes era simplesmente descartado. A proposta é desenvolver um olhar mais atento e consciente com o espaço que ocupamos, fazendo com que o cuidado com o ambiente seja incorporado às práticas da comunidade escolar”, destaca.
O Programa Esse Rio é Meu integra uma agenda mais ampla de iniciativas desenvolvidas pela Escola Municipal Filadélfia. Além do Mãos que Reciclam, a unidade participa do projeto da Arteris Sustentabilidade e Vida no Trânsito e desenvolve o projeto Quem Ama Cuida. A articulação entre essas diferentes propostas amplia as possibilidades de trabalhar temas relacionados à cidadania, sustentabilidade, mobilidade e cuidado com o território de maneira interdisciplinar.
Na prática, a experiência mostra que discutir meio ambiente na escola pode ir muito além de conteúdos e conceitos. Quando os estudantes identificam os rios próximos de suas casas, separam resíduos, acompanham o destino dos materiais recicláveis e envolvem suas famílias nas ações, o aprendizado passa a dialogar diretamente com a vida cotidiana.
Na Escola Municipal Filadélfia, segundo Estefany, o desafio é justamente transformar esse conhecimento em atitude — dentro e fora dos muros da escola — e fazer com que o cuidado com o território seja uma responsabilidade compartilhada por toda a comunidade.

A Escola Municipal Filadélfia atende atualmente cerca de 325 estudantes e está situada em Marambaia, bairro de São Gonçalo que faz divisa com Itaboraí. A região, anteriormente considerada rural, passou por um processo de urbanização, o que traz novos desafios e também a necessidade de ressignificar a relação da comunidade com o espaço que ocupa.



