Verão no Rio: quando a cidade pede socorro aos seus rios

Por uma estação consciente e livre de problemas.

Por Marcus Tavares

Todo verão, o Rio de Janeiro renova seu cartão-postal. O sol ocupa as praias, os parques se enchem de gente e a cidade reafirma sua vocação para o encontro, o turismo e a celebração. Mas, nos últimos anos, essa mesma estação também tem sido marcada por outro cenário — estatísticas que se repetem, temporais intensos, alagamentos em diferentes regiões e uma população que convive, cada vez mais, com os impactos diretos das mudanças climáticas e da falta de cuidado ambiental.

Os números falam por si. Episódios de chuvas extremas se tornaram mais frequentes e mais severos, sobrecarregando sistemas de drenagem, transbordando rios urbanos e expondo fragilidades históricas da cidade. E, em meio a esse ciclo, emerge uma constatação inevitável: a relação do Rio com seus próprios rios precisa ser repensada com urgência.

Basta uma chuva mais forte para que a paisagem se transforme. Ruas viram canais improvisados, o trânsito para, casas são invadidas pela água. Em muitos desses pontos, a causa é visível a olho nu — lixo acumulado nos leitos, bueiros obstruídos, margens degradadas, mata ciliar inexistente. Os rios urbanos, que deveriam cumprir seu papel natural de escoamento e equilíbrio ambiental, acabam se tornando vítimas.

Cuidar do meio ambiente, nesse contexto, deixa de ser um discurso abstrato e passa a ser uma necessidade concreta, cotidiana. É na escolha de não jogar resíduos nas ruas, na valorização de áreas verdes, na recuperação das margens dos rios e na preservação da vegetação que protege os cursos d’água que se constrói, pouco a pouco, uma cidade mais resiliente. A sustentabilidade não se resume a grandes projetos: ela começa nos gestos simples, repetidos todos os dias por cada cidadão.

É justamente nesse ponto que iniciativas de educação ambiental ganham um papel central. O programa Esse Rio é Meu se destaca como uma dessas ações que transformam a relação da população com os rios da cidade. Ao promover atividades educativas, mobilizar escolas, professores e comunidades, o projeto convida crianças e adultos a enxergarem os rios não como valões, mas como parte viva da identidade do Rio de Janeiro.

Mais do que limpar margens ou organizar mutirões, o programa trabalha a ideia de pertencimento. Quando alguém passa a dizer “esse rio é meu”, assume também a responsabilidade por ele. É um exercício de cidadania ambiental que reverbera no presente e, sobretudo, no futuro — formando gerações mais conscientes, críticas e comprometidas com o espaço que habitam.

Neste verão, enquanto o Rio segue entre o azul do céu e o cinza das nuvens carregadas, a cidade é convidada a fazer uma escolha. Pode continuar reagindo a cada temporal como se fosse um evento isolado ou pode, finalmente, encarar a raiz do problema: a forma como trata seu território, seus rios e seu próprio lixo. A resposta não está apenas nas obras de infraestrutura, mas na construção de uma cultura de cuidado. Porque, no fim das contas, os rios refletem a cidade que somos. E o verão, com toda a sua luz e suas tempestades, apenas torna isso mais visível.

O programa Esse Rio É Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos corpos hídricos da cidade.

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