O papel do Esse Rio é Meu na rede de Queimados

Entrevista com Secretário de Educação de Queimados, André Assumpção.

Por Marcus Tavares

Esse Rio é Meu na rede de Queimados. Secretário de Educação, André Luiz Monsores de Assumpção fala à revistapontocom sobre protagonismo juvenil, pertencimento e transformação social.

Em municípios marcados por desafios socioambientais históricos, a escola assume papel estratégico na formação de uma consciência coletiva voltada à preservação e ao cuidado com o território. Em Queimados, na Baixada Fluminense, o programa Esse Rio é Meu surge como ferramenta para transformar teoria em prática e fortalecer o protagonismo estudantil.

Em entrevista à revistapontocom, o secretário municipal de Educação, André Luiz Monsores de Assumpção, afirma que a proposta vai além do debate ambiental e pode impactar diretamente o engajamento escolar, o sentimento de pertencimento e até a evasão. “Uma coisa é a discussão teórica. Outra é transformar a discussão em um plano de ação e possibilitar ao aluno colocar a mão na massa e ver os resultados de forma imediata”, destaca.

Ao longo da conversa, ele aborda a relação entre escola e território, os impactos ambientais que historicamente atingem o município e a necessidade de construir uma identidade positiva para a Baixada Fluminense a partir da educação. Para o secretário, o diferencial do projeto está no protagonismo juvenil e na formação de sujeitos mais críticos e conscientes de seu papel social. “Esse é o principal diferencial: possibilitar que o estudante busque soluções para problemas que afetam diretamente a sua comunidade.”

André Luiz Monsores de Assumpção é graduado em Matemática e Administração e mestre em Educação. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional, atuou como professor e gestor nos setores público e privado.

Esse Rio é Meu na rede de Queimados – A Prefeitura de Queimados oficializou, na quinta-feira, 12 de fevereiro, a assinatura do termo de cooperação técnica com a OSCIP planetapontocom para a implantação do programa na rede municipal de ensino. A cerimônia foi realizada no Paço Municipal e marcou o início das atividades em 35 escolas da cidade. A iniciativa conta com o patrocínio da concessionária Águas do Rio. Clique aqui e saiba mais

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como o programa pode ajudar os estudantes a compreenderem essa responsabilidade ambiental?
André Luiz Monsores de Assumpção
– A nossa gestão acredita muito no potencial deste programa, enquanto promotor de transformação social. A atenção aos impactos ambientais é uma pauta urgente, que precisa ser discutida em todos os espaços, em especial nos espaços escolares. É função social da escola fomentar discussões sobre tudo que impacta a vida em comunidade. Desta forma, o programa, em parceria com os professores e equipes pedagógicas das escolas, poderá discutir e implementar ações que impactarão diretamente a vida dos alunos e de toda a comunidade escolar, possibilitando aos alunos perceberem, de forma concreta, que ações de recuperação e preservação ambiental geram, como consequência, melhorias na qualidade da vida de toda uma comunidade.

revistapontocom – A rede municipal enfrenta desafios estruturais históricos. De que forma projetos como o Esse Rio é Meu contribuem para ampliar repertório e perspectiva de futuro dos alunos?
André Luiz Monsores de Assumpção
– A pauta é mudança comportamental com foco na preservação. Esse tema gerador pode ser desdobrado em diversas outras questões que impactam a vida do aluno. Uma das possibilidades é a própria manutenção dos espaços escolares. A construção de uma consciência coletiva sobre preservação envolve a manutenção dos espaços de convivência, redução de consumo de água e luz, dentre outras ações que transformarão ação em aprendizagem.

revistapontocom – Como o programa Esse Rio é Meu vai dialogar com as diretrizes da rede municipal de ensino?
André Luiz Monsores de Assumpção
– Essa discussão está presente em nossos currículos. Além disso, mesmo que de forma transversal, a proposta dialoga com todos os demais projetos da rede, sendo mais uma vez tema gerador da educação municipal. O Município possui um histórico de impactos negativos gerados pela falta de ações de preservação ambiental. As fortes chuvas que anualmente trazem prejuízos para a população, a questão das doenças causadas pela poluição dos rios, a questão da contaminação por resíduos radioativos, são discussões que precisam estar presentes a todo momento. O bairro de Santo Expedito em Queimados foi local de descarte e armazenamento irregular de toneladas de resíduos industriais, incluindo materiais contaminados, cromo, cádmio, ascarel, chumbo e outros materiais, resultando em um passivo ambiental estimado em 29 mil m³ de solo contaminado, cobrindo cerca de 70 mil metros quadrados. Para evitar situações como esta, faz-se necessário o controle e a fiscalização da sociedade. Essa construção começa no ambiente escolar e chega até as casas doas estudantes, impactando positivamente na mudança comportamental das famílias.

revistapontocom – De que forma a educação ambiental já vinha sendo trabalhada nas escolas e o que muda com a chegada do programa?
André Luiz Monsores de Assumpção
– A pauta é permanentemente trabalhada em nossos currículos. Porém, o programa permitirá a implementação de ações concretas que impactarão a vida dos estudantes. Uma coisa é a discussão teórica sobre uma questão ambiental. Outra é transformação a discussão em um plano de ação, que possibilitará ao aluno colocar a mão na massa e ver os resultados de forma imediata.

revistapontocom – Como a secretaria avalia o papel do professor como agente mobilizador das questões ambientais no território?
André Luiz Monsores de Assumpção
– Para além das questões teóricas, existe uma questão comportamental que precisa ser trabalhada. Neste sentido, entendemos que o professor é um referencial para nossos estudantes, seja do ponto de vista de ser fonte fidedigna de conhecimentos, mas também do ponto de vista comportamental. Num primeiro momento, comportamento se reproduz. Em seguida refletimos sobre os comportamentos e geramos mudanças.

revistapontocom – O programa propõe que os estudantes desenvolvam ações práticas sobre os rios locais. Como a secretaria enxerga esse protagonismo juvenil?
André Luiz Monsores de Assumpção
– Esse é o principal diferencial das ações previstas pelo programa. Possibilitar o protagonismo do estudante na busca de soluções para os problemas que afetam diretamente a qualidade de vida dele e de sua comunidade. Dessa forma possibilitaremos a formação de sujeitos mais críticos e conscientes de seu papel na sociedade.

revistapontocom – Há expectativa de que o projeto contribua para reduzir a evasão ou ampliar o engajamento escolar também?
André Luiz Monsores de Assumpção
– Sim. Uma das causas da evasão é a falta de perspectiva, por parte dos estudantes, da importância do aprendizado e no caráter transformador da educação. O programa permitirá ao estudante a construção desse espírito de pertencimento e despertará o seu potencial de transformar uma realidade local, dando propósito ao seu trabalho enquanto estudante.

revistapontocom – Em municípios marcados por desafios socioambientais, qual a importância de trabalhar a relação entre escola, território e meio ambiente?
André Luiz Monsores de Assumpção
– A principal questão é exatamente o desenvolvimento desse espírito de pertencimento e senso de responsabilidade e colaboração. Problemas comuns são resolvidos coletivamente. A escola é um espaço importante para a discussão desses problemas que afetam a toda comunidade. Uma escola que promova educação efetivamente transformadora precisa estabelecer essas relações, objetivando materializar em práticas as discussões teóricas feitas em sala de aula. Essa materialização ganha um propósito especial quando afeta diretamente a vida dos estudantes.

revistapontocom – O programa pode fortalecer a identidade dos estudantes com o município? E com a comunidade também?
André Luiz Monsores de Assumpção
– Sim. Mas trata-se de uma construção, ou reconstrução de uma identidade numa perspectiva positiva. Pois, enquanto moradores da Baixada, não precisamos de estereótipos negativos. Podemos construir uma identidade a partir de uma quebra de paradigma que esse projeto possibilitará. A identidade de um povo forte que, por meio da educação, transformou uma realidade.

revistapontocom – O que o senhor espera do programa Esse Rio é Meu em Queimados?
André Luiz Monsores de Assumpção –
Mudar vidas!

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