Por Marcus Tavares
Iniciativa pioneira da Baixada Fluminense utiliza games como ferramenta de aprendizagem, cidadania e conscientização ambiental.

O universo dos games deixou de ser apenas entretenimento para se transformar em ferramenta de educação, cidadania e inclusão social em Japeri. O GameCraft Japeri, projeto desenvolvido pela Prefeitura em parceria com a Federação do Estado do Rio de Janeiro de Esportes Eletrônicos (FERG), está com inscrições abertas para novos participantes e amplia sua atuação ao integrar esportes eletrônicos, alfabetização digital e educação ambiental.
Criado por iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, comandada pela secretária Meire Lucy dos Santos, em conjunto com a Secretaria de Governo e a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, o projeto nasceu em Japeri e já inspira iniciativas semelhantes em municípios como Nova Iguaçu, Mesquita e Paracambi.
Segundo Meire Lucy dos Santos, o GameCraft vai muito além da formação de jogadores e utiliza a tecnologia como ferramenta de transformação social. “O projeto prepara os jovens para os esportes eletrônicos, mas também trabalha valores como cidadania, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. A tecnologia pode ser uma grande aliada da educação”, destaca.
Um dos diferenciais do projeto é a utilização do jogo Minecraft como ferramenta pedagógica. Nele, os participantes recebem o desafio de criar cidades sustentáveis, incorporando soluções para mobilidade urbana, coleta seletiva, energias renováveis e preservação ambiental.
Durante a atividade, os estudantes precisam pensar em elementos como instalação de placas solares, organização da coleta de lixo, planejamento urbano e proteção das áreas verdes, transformando conceitos ambientais em experiências práticas dentro do ambiente virtual. A proposta atende às diretrizes de um acordo de cooperação técnica firmado entre a FERG e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que prevê ações permanentes de conscientização ambiental dentro do projeto.
Além das atividades digitais, os alunos participam de ações presenciais promovidas pela Secretaria de Meio Ambiente. Trilhas ecológicas, plantios de mudas e visitas às unidades de conservação fazem parte da programação.
Na abertura do Mês do Meio Ambiente, por exemplo, estudantes do GameCraft participaram de uma atividade realizada em parceria com a APA Guandu, do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), e com a Guarda Ambiental de Japeri. Durante o encontro, crianças, jovens e idosos receberam orientações sobre proteção da fauna e da flora, preservação dos rios e combate a práticas prejudiciais ao meio ambiente.
Para Meire Lucy dos Santos, a conscientização deve acontecer por meio do diálogo e da educação. “Não acreditamos que exista mudança sem educação. O nosso papel é orientar, mostrar o que pode e o que não pode, formando cidadãos mais conscientes.”
Outra novidade do GameCraft é a criação da turma de alfabetização digital para pessoas idosas. Enquanto os jovens aprendem modalidades como Free Fire, Counter-Strike e jogos de futebol, além de conteúdos de informática e inglês, os idosos recebem aulas voltadas para o uso do celular, navegação na internet, Windows, Word e outras ferramentas básicas de informática.
A iniciativa amplia o alcance social do projeto e promove inclusão digital para diferentes gerações, reforçando o caráter inovador de uma ação que nasceu em Japeri e hoje serve de referência para outros municípios da Baixada Fluminense.
As inscrições permanecem abertas e podem ser realizadas diretamente na sede do GameCraft, localizada ao lado da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Japeri. Como o aprendizado é individualizado, novos participantes podem ingressar durante boa parte do ano sem prejuízo ao desenvolvimento das atividades. A expectativa é receber novos estudantes até o mês de agosto, permitindo que todos acompanhem a programação prevista até o encerramento do ciclo anual.
“Eu me sinto muito realizada quando vejo as crianças da nossa cidade recebendo o carinho e a atenção de um projeto tão especial. Durante muito tempo, a Baixada Fluminense ficou em segundo plano. Hoje estamos mostrando que é possível fazer diferente e oferecer oportunidades para a nossa população. Isso é só o começo”, conclui Meire Lucy dos Santos.



