E.M. Barão do Rio Branco transforma tampinhas recicladas em arte com o Programa Esse Rio é Meu

Diretora adjunta Alessandra Melo conta como as atividades foram desenvolvidas.

Tampinhas que ensinam: E.M. Barão do Rio Branco une reciclagem, arte e preservação dos rios.

Por Marcus Tavares

Na E.M. Barão do Rio Branco, em São João de Meriti, a educação socioambiental vem ganhando forma, cor e participação coletiva. Em 2026, a unidade passou a desenvolver o Programa Esse Rio é Meu, integrando as ações à proposta pedagógica da escola e envolvendo estudantes, professores e famílias em atividades que aproximam a discussão sobre preservação ambiental do cotidiano escolar.

Segundo Alessandra Melo, diretora adjunta da escola, o programa foi incorporado de forma institucional e envolve todas as turmas, da Educação Infantil, incluindo o Pré II, às etapas mais avançadas do Ensino Fundamental. “O projeto possui caráter institucional e abraça toda a nossa comunidade escolar”, afirma.

Antes do início das atividades, a equipe da escola discutiu coletivamente como o programa seria desenvolvido ao longo do ano. O planejamento aconteceu durante os Encontros de Planejamento Pedagógico e as reuniões de Conselho de Classe (COC), envolvendo professores e mediadores na definição do cronograma, da divisão das tarefas e das possibilidades de trabalho interdisciplinar.

A partir dessas discussões, o projeto ganhou as salas de aula e passou a ser trabalhado de maneira prática e transversal. Uma das primeiras mobilizações foi a arrecadação de tampinhas de garrafas plásticas (PET). Enquanto os estudantes participavam da coleta, os professores abordavam temas relacionados aos impactos do descarte inadequado do plástico, à importância da preservação dos rios e ao papel da água para a vida.

O material recolhido passou então a fazer parte de uma nova etapa do projeto: a construção de um grande painel artístico de tampinhas. A proposta ganhou ainda mais força com a chegada de uma nova atribuição para a professora de Artes Rafaelly, que passou a atuar também como Professora de Educação Climática e assumiu a liderança das ações relacionadas ao programa.

A iniciativa aproximou diferentes áreas do conhecimento e transformou um material que seria descartado em recurso para a expressão artística e para a aprendizagem. “Ela lidera as ações do programa, conectando a reciclagem, a preservação dos rios e a arte em atividades práticas com todas as turmas”, explica Alessandra.

Para a diretora adjunta, a experiência tem contribuído para que os estudantes percebam a sustentabilidade não apenas como um conteúdo trabalhado em sala, mas como algo que pode ser vivenciado no dia a dia. “O projeto conseguiu tirar a teoria dos livros e levá-la para a vivência prática dos estudantes”, destaca.

O envolvimento dos alunos também aparece na maneira como eles passaram a acompanhar a transformação das tampinhas coletadas em uma produção artística. De acordo com Alessandra, “ver a transformação do lixo em arte gerou um sentimento de orgulho e entusiasmo coletivo que reverbera diariamente no ambiente escolar”.

A mobilização não ficou restrita aos estudantes. Professores e famílias também passaram a participar do processo. O corpo docente incorporou a temática de forma interdisciplinar, enquanto os alunos assumiram um papel de protagonismo tanto na coleta quanto na produção do painel. Em casa, as famílias colaboram com a separação e o envio dos materiais recicláveis para a escola.

“Sim, a participação é um dos pontos fortes do projeto”, ressalta Alessandra. Para ela, esse envolvimento coletivo amplia o alcance da iniciativa e ajuda a transformar a escola em um espaço de mobilização da comunidade em torno das questões ambientais.

A expectativa da direção é que as experiências desenvolvidas durante o programa contribuam para fortalecer nos estudantes a consciência ecológica e o sentimento de pertencimento ao território onde vivem. A ideia é que eles percebam que a preservação ambiental pode começar por atitudes simples e próximas da realidade de cada um.

“Queremos que eles compreendam que a preservação dos rios e do meio ambiente começa com pequenas ações locais e diárias, formando cidadãos críticos, responsáveis e atuantes em sua comunidade”, afirma a diretora adjunta.

Localizada na Rua Guatemalense, s/nº, no bairro Parque Barão do Rio Branco, a Escola Municipal Barão do Rio Branco atende atualmente cerca de 260 estudantes da comunidade local. Além das ações relacionadas ao meio ambiente, a unidade desenvolve projetos de alfabetização na idade certa, como o Meriti Alfabetizada, e mantém campanhas permanentes de combate ao racismo e ao bullying.

É nesse contexto de atuação coletiva que o Programa Esse Rio é Meu vem sendo desenvolvido na escola. Ao transformar tampinhas de plástico em uma produção artística e utilizar a atividade como ponto de partida para discutir rios, água, reciclagem e responsabilidade ambiental, a escola procura aproximar conhecimento e prática. Para Alessandra, a experiência mostra que a conscientização pode começar dentro da própria escola e se expandir para as famílias e para o território.

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