Por Marcus Tavares
A foto acima foi publicada no site da Prefeitura de Japeri, na seguinte publicação: “Em Japeri, Dia do Turismo será com trilha no Pico da Coragem”, em 16 de fevereiro de 2024, por Sofia Teixeira
https://japeri.rj.gov.br/2024/02/16/em-japeri-dia-do-turismo-sera-com-trilha-no-pico-da-coragem/. Acesso em 25/05/2026.
A percepção que estudantes têm sobre o lugar onde vivem e a forma como o ensino de Geografia pode contribuir para transformar essa visão estão no centro da dissertação “Será que realmente não há nada em Japeri-RJ?: Uma abordagem didática da paisagem para compreensão do lugar”, desenvolvida, em 2024, pelo professor Alexandre Johan Pereira Sittrop no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
A pesquisa foi apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Geografia, Paisagem e Ensino de Geografia e parte de uma questão provocada pelas próprias falas dos estudantes do município de Japeri, que frequentemente associavam a cidade a aspectos negativos e afirmavam que “Japeri é feio”.
Diante desse cenário, o pesquisador formulou a pergunta central da investigação: “É possível mudar a percepção negativa e deixar as aulas mais interessantes utilizando as paisagens de Japeri?”. A partir dessa questão, a dissertação buscou analisar o potencial paisagístico do município como recurso pedagógico para estudantes do sexto ano da rede pública municipal.
clique aqui, acesse e leia a dissertação
O estudo destaca que Japeri, município periférico da Baixada Fluminense, enfrenta escassez de materiais didáticos específicos sobre o próprio território, o que dificulta o desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas à valorização do lugar vivido pelos alunos. Nesse contexto, a pesquisa utilizou elementos das paisagens locais como ferramenta de ensino e aproximação dos estudantes com a realidade do município.
A fundamentação teórica da dissertação dialoga com importantes nomes da Geografia e da percepção do espaço, como Carl Sauer, Augustin Berque, Denis Cosgrove e Yi-Fu Tuan, especialmente no conceito de topofilia, relacionado à construção de vínculos afetivos com o lugar.
A metodologia utilizada baseou-se na Pesquisa-Ensino proposta por Penteado e incluiu aplicação de questionários com estudantes do sexto ano para compreender a percepção inicial sobre Japeri. Em seguida, foi desenvolvida uma atividade didática utilizando paisagens do município por meio da ferramenta digital StoryMap, da plataforma ArcGis Hub.
Os resultados apontaram que, antes da atividade, muitos estudantes associavam Japeri à poluição, falta de infraestrutura e ausência de atrativos. Após a utilização do StoryMap, entretanto, houve mudança significativa na percepção dos alunos, que passaram a reconhecer elementos simbólicos, culturais e ambientais do município.
A dissertação mostra que espaços e referências locais, como o Pico da Coragem, o campo de golfe e o Rio Guandu, passaram a ser percebidos pelos estudantes como elementos importantes da identidade e da paisagem de Japeri. O estudo também concluiu que a atividade fortaleceu a conexão afetiva dos alunos com o município e contribuiu para uma leitura mais crítica e contextualizada do espaço geográfico.
Segundo a pesquisa, o uso de recursos didáticos inovadores e contextualizados pode transformar o ensino de Geografia, tornando as aulas mais próximas da realidade dos estudantes e promovendo maior valorização do território periférico da Baixada Fluminense.
Ao divulgar a dissertação, o trabalho também chama atenção para a importância de se produzir conhecimento acadêmico sobre municípios frequentemente invisibilizados nos debates educacionais e territoriais, reforçando o potencial das paisagens locais como instrumentos de aprendizagem, pertencimento e formação cidadã.



