William Siri

revistapontocom – Como o senhor avalia a qualidade da Educação pública no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro? William Siri – A educação pública do Rio está longe do ideal. Temos déficit de educadores e funcionários, o piso dos professores não é pago, há desrespeito ao plano de cargos, carreiras e salários, alta evasão escolar e muitas escolas com infraestrutura precária. Os últimos governos precarizaram a educação. Com esse cenário, é impossível termos uma educação pública de qualidade.

revistapontocom – Quais são os dez principais desafios da Educação pública no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro? William Siri – São muitos os desafios, mas vou citar alguns aqui: 1 – Déficit de profissionais; 2 – Desvalorização dos servidores, com defasagem salarial e más condições de trabalho; 3 – Desrespeito ao plano de cargos, carreiras e salários da educação; 4 – Expansão da política de contratos e terceirizações; 5 – Poucos investimentos em infraestrutura; 6 – Aplicação de uma política de aprovação automática, permitindo dependência em até 6 disciplinas. Uma maquiagem para melhorar os números do IDEB; 7 – Falta de investimentos em educação inclusiva – faltam salas de recursos e mais profissionais para um Atendimento Educacional Especializado digno; 8 – Elevada evasão escolar; 9 – Falta de incentivo e apoio à formação continuada dos servidores; e 10 – Falta de fomento à cultura, esporte e lazer nas escolas.

    revistapontocom – O senhor conhece o dia a dia das escolas públicas estaduais e de seus professores ou é algo distante de sua realidade? William Siri – Conheço, além de visitar escolas, mantenho contato com professores, funcionários e alunos das escolas estaduais, com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro e com outros movimentos formados pelos educadores. Minha vice, a Juliana Carvalho, é professora. Dessa forma, conheço as demandas da educação e foi assim que construí meu plano de governo e minhas propostas, sempre com escuta atenta e muita prioridade aos educadores.

    revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento? Podemos ter acesso? William Siri – No meu plano de governo, os servidores públicos são uma prioridade. Farei um calendário de concursos para recompor o quadro de profissionais e acabar com o déficit. A política de expansão de contratos temporários e terceirizações na educação terá fim no meu governo. Também vamos valorizar os servidores, com reajuste anual, fixado em data-base, e pagaremos o piso nacional docente no vencimento, acabando com o atual desrespeito ao PCCS da educação. Além disso, uma prioridade será o retorno dos CIEPs com educação integral, como feito por Brizola e Darcy Ribeiro. Vamos retomar a educação integral com 4 refeições diárias, fomento à cultura, ao esporte e incentivo à leitura, além de promoção de atendimento básico odontológico e de saúde. Para que os alunos possam ficar na escola, teremos renda básica para os alunos inscritos no CadÚnico. Dessa maneira, vamos promover educação de qualidade, com formação global e crítica, mantendo nossos estudantes nas escolas. Tudo isso, e outras diversas propostas, constam no meu plano de governo, que pode ser consultado no site http://www.williamsiri.com.br/.

    revistapontocom – Se eleito, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade? William Siri – Iremos implementar, ainda no primeiro ano de governo, pelo menos 30 CIEPs com educação integral, focando nos territórios mais vulneráveis e conflagrados do Estado do Rio. Dessa forma, aliado a uma política de valorização dos servidores, teremos um forte investimento na melhoria da educação pública em curto prazo.

    revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro que merece ter continuidade? O que é preciso mudar de imediato? William Siri – É difícil apontar algo positivo na gestão da SEEDUC. Sei o que vou mudar assim que for eleito: irei, mediatamente, aplicar o piso nacional docente ao vencimento dos educadores e acabar com essa manobra que fere o plano de cargos, carreiras e salários e desvaloriza os servidores. Além disso, vou extinguir o decreto que permitiu a dependência escolar em até 6 disciplinas, institucionalizando a política de aprovação automática e acabando com a autonomia dos professores.

    revistapontocom – Pode-se dizer que a educação será prioridade em seu governo? Como um Governador pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas? William Siri – Sim, a educação será uma prioridade em meu governo. Existem diversos pontos importantes que precisam de atenção no Estado do Rio de Janeiro, que mergulhou em uma grave crise graças aos governos de extrema direita dos últimos anos. Porém, entendo que priorizar a educação é fundamental para superarmos diversos dos problemas que afligem o povo fluminense, e eu posso citar exemplos. O investimento em educação vai trazer reflexos positivos no desenvolvimento econômico, formando mão de obra qualificada e futuros pesquisadores, que poderão criar inovação e novas tecnologias. Quanto mais jovens estiverem na escola, especialmente na educação integral, menos chances de cooptação pelo crime organizado. Investir na educação é o caminho para um Rio de Janeiro menos desigual e com mais oportunidades.

    revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar no senhor para Governador? William Siri – Além de ter um plano de governo consistente, minha trajetória demonstra a importância que sempre dei à educação e aos servidores. Como vereador, e estou em meu segundo mandato, fiz dois relatórios sobre a educação do município do Rio de Janeiro, indo às escolas, conversando com educadores e funcionários e registrando todas as demandas. No segundo relatório, visitamos quase 10% das escolas municipais. Esses dois relatórios foram entregues à SME para a elaboração de políticas públicas. Também sempre lutei ao lado dos educadores, denunciando e combatendo as políticas de precarização de Eduardo Paes, incluindo a greve de 2024 contra o absurdo pacote de maldades que incluiu a minutagem. Isso sem contar as diversas emendas ao orçamento que criei para que os servidores pudessem ter o aumento do vale-refeição, que está congelado em míseros 12 reais, o que foi ignorado pelo então prefeito. Por isso, posso dizer que, além de ter uma escuta ativa e contato constante com os educadores e funcionários, conhecer suas demandas e ter um plano de governo consistente, meu histórico demonstra que a educação sempre foi uma prioridade.

    revistapontocom – Se eleito, que perfil de secretário de educação o senhor buscaria? William Siri – Vou escolher alguém que conheça as necessidades da educação estadual, que possua contato com os educadores e tenha sua confiança, e que carregue uma trajetória de luta e respeito à educação pública.

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