O que o Rio do Lúcio tem a ensinar às crianças de Bangu?

Entre visitas ao Rio do Lúcio e à Floresta da Tijuca, estudantes investigam problemas ambientais, discutem racismo ambiental e descobrem novas formas de cuidar do território onde vivem.

Por Aline Freitas de Farias , Milena de Siqueira Araújo e Ricardo Constantino
Professora da 1501, Professora da 1602 e Professor articulador


E se as crianças pudessem olhar para o lugar onde vivem e perceber que também fazem parte da história dele? Foi a partir dessa ideia que nasceu o projeto “Esse Rio é Meu”, desenvolvido pelos alunos do GET Professora Sandra Pires, localizado em Bangu, Zona Norte do Rio, tendo o Rio do Lúcio como ponto de partida para uma jornada de descobertas, criatividade e consciência ambiental.

Antes de visitar o rio, os alunos pesquisaram, conversaram sobre os problemas ambientais e produziram cartazes de conscientização. No dia da visita, levaram suas mensagens e puderam observar de perto a realidade do Rio do Lúcio, registrando, por meio de fotografias, aquilo que encontraram.

A experiência abriu espaço para uma discussão muito importante: o racismo ambiental. As fotografias feitas pelos próprios alunos se transformaram em uma exposição, revelando o olhar das crianças sobre o território onde vivem e provocando reflexões sobre o direito de todos a um ambiente saudável e bem cuidado.

Mas o Rio do Lúcio ganhou ainda mais vida quando o folclore brasileiro entrou nessa história! Os alunos imaginaram personagens das nossas lendas visitando o rio para ajudá-lo a se livrar do lixo e conscientizar a população. Criaram os personagens com materiais recicláveis, produziram uma exposição e escreveram um livro coletivo, com histórias criadas pelas próprias crianças.

E a aventura não terminou no rio!

Para ampliar a consciência ambiental, os alunos também visitaram a Floresta da Tijuca, vivenciando um ambiente de preservação e percebendo, na prática, a importância das árvores, da biodiversidade e das áreas verdes. Nosso passeio à Floresta da Tijuca foi muito mais do que uma visita a um espaço de natureza. Foi uma oportunidade de aprender, observar, refletir e perceber a importância de cuidar do meio ambiente.

Durante o passeio, nossos alunos puderam conhecer a riqueza da floresta, observar diferentes espécies de plantas, ouvir os sons da natureza e compreender que preservar as áreas verdes é responsabilidade de todos nós.

Toda a experiência também nos levou a refletir sobre o racismo ambiental, como ausência de árvores, falta de segurança pública, e sobre como os problemas ambientais podem atingir de maneira desigual diferentes comunidades. Cuidar da natureza também significa lutar por espaços mais saudáveis, seguros e acessíveis para todas as pessoas.

Dessa forma, o projeto transformou conteúdos em experiências e alunos em observadores, fotógrafos, escritores, artistas e agentes de conscientização. Mais do que falar sobre o meio ambiente, as crianças aprenderam a olhar para o próprio território, questionar, criar e acreditar que suas vozes também podem fazer a diferença.

Nosso projeto mostrou que, quando a escola, os alunos e a comunidade se unem, podemos transformar o nosso olhar sobre o lugar onde vivemos. Esse rio é meu. Cuidar da natureza é preservar a nossa história.

E, neste percurso todo, ainda tivemos uma grande celebração: o estudante Cauã de Lima Reis, da turma 1501, participou do concurso de redação Amigos da Água, uma parceria entre a Rio+Saneamento e a Prefeitura do Rio. Sua redação, “A Água é Nossa Vida”, foi uma das premiadas.

As crianças explicam o projeto

revistapontocom – Como surgiu o projeto?
Estudantes 1501 e 1602 – Somos alunos do GET Professora Sandra Pires e desenvolvemos um projeto para conhecer melhor o Rio do Lúcio, que faz parte do território onde vivemos. Nosso objetivo foi aprender, conscientizar e mostrar que todos podem contribuir para cuidar do meio ambiente.

revistapontocom – Vocês visitaram o rio, certo? Como foi essa experiência?
Estudantes 1501 e 1602 – Sim, mas, antes de irmos ao Rio do Lúcio, conversamos sobre os problemas ambientais e produzimos cartazes com mensagens de conscientização. Os cartazes foram feitos por nós e os levamos no dia da visita. Durante a visita, observamos de perto a realidade do rio. Encontramos bastante lixo e percebemos como as ações das pessoas podem afetar o meio ambiente. Foi muito importante sair da sala de aula e conhecer essa realidade pessoalmente.

revistapontocom – Foi daí que surgiu a discussão sobre racismo ambiental?
Estudantes 1501 e 1602 – Sim. Também estudamos o racismo ambiental e entendemos que os problemas ambientais não atingem todos os territórios da mesma maneira. Fotografamos o Rio do Lúcio durante a visita, e essas imagens deram origem a uma exposição. Fizemos também uma relação entre o meio ambiente e o folclore brasileiro. Criamos uma história em que personagens das lendas brasileiras visitam o Rio do Lúcio para ajudar a salvá-lo do lixo. Confeccionamos os personagens das lendas utilizando materiais recicláveis. Assim, trabalhamos criatividade, folclore e sustentabilidade ao mesmo tempo.

revistapontocom – E isso virou um livro?
Estudantes 1501 e 1602 – Sim! Criamos um livro coletivo com histórias escritas pelos próprios alunos. Nas histórias, os personagens do folclore visitam o Rio do Lúcio e ajudam a conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar do rio.

revistapontocom – O que vocês aprenderam com esse projeto?
Estudantes 1501 e 1602  – Aprendemos que a educação ambiental não acontece somente dentro da sala de aula. Quando conhecemos o lugar onde vivemos, podemos perceber os problemas, pensar em soluções e também ajudar a conscientizar outras pessoas.

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