Coronel Busnello

revistapontocom – Como o senhor avalia a qualidade da Educação pública no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro? Coronel Busnello – A rede estadual vive o pior momento em uma década. O IDEB do ensino médio despencou entre 2021 e 2023: ficamos em penúltimo entre os 27 estados, só na frente do Rio Grande do Norte. Das crianças que entram no sistema, só 74 em cada 100 terminam o ensino médio até os 19 anos. E o pior: dinheiro não é o problema. O Rio gasta mais por aluno do que São Paulo e paga menos ao professor. Isso não se resolve com discurso, se resolve tirando a rede das mãos de quem trata educação como cabide.

revistapontocom – Quais são os dez principais desafios da Educação pública no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro? Coronel Busnello – Dá pra listar dez sem esforço. Professor mal pago e fugindo da rede: perdemos mais de 14 mil em dez anos, e faltam hoje 13 mil. Não existem metas nos principais indicadores. Coordenadoria que só faz papelada, sem pisar em escola. Diretor escolhido por padrinho, não por competência. Um em cada três alunos do ensino médio atrasado na série, o pior índice do país. Evasão alta. Mais de 500 CIEPs, a maioria fechada de sexta à tarde até segunda. Escola sem internet decente em boa parte do interior. E um problema que quase ninguém fala: são entre 80 e 120 mil alunos neurodivergentes sem diagnóstico, e nenhuma política de saúde mental que converse com a Secretaria de Saúde.

revistapontocom – O senhor conhece o dia a dia das escolas públicas estaduais e de seus professores ou essa realidade é distante de sua experiência? Coronel Busnello – Vou ser direto: minha vida foi rua, não gabinete. Andei em escola de comunidade tomada pelo tráfico, vi criança que não ia pra aula porque tinha operação policial na porta de casa ou porque o tráfico pediu para fechar as escolas. Isso me deu uma noção que gente de escritório não tem. Mas quem realmente vive o dia a dia de sala de aula, quem senta com professor e ouve reclamação de gestor, é o nosso vice-candidato a governador, o Rafa Luz. Ele é pedagogo, formado pra isso, e carrega a causa da educação. Não vou fingir que sou especialista em pedagogia, mas pra isso eu tenho o Rafa do meu lado.

revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento ao qual a população possa ter acesso? Coronel Busnello – Existe, sim, documento formal, assinado por mim e pelo Rafa Luz. Dez programas, divididos em quatro frentes: valorizar e gerir o professor, modernizar modelo e estrutura de ensino, trabalhar junto com os municípios, e cuidar de inclusão e comunidade. Posso mandar o texto completo pra vocês publicarem, sem problema.

revistapontocom – Se eleito, o que será possível fazer no curto prazo? Haverá alguma prioridade? Coronel Busnello – Primeiro passo, nos três primeiros meses: começar a corrigir o salário do professor até o piso nacional, nas categorias mais defasadas, dentro do que a lei fiscal permite, e mandar pra Alerj um plano de carreira novo, com progressão por mérito. Ao mesmo tempo, tiro do papel o piloto do Escola 360 em 50 CIEPs e abro edital do Professor Formador nas regiões com pior IDEB. Não adianta prometer programa bonito numa rede que continua perdendo professor todo ano.

revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da Secretaria de Estado de Educação que merece continuidade? O que precisa mudar imediatamente? Coronel Busnello – O que funciona, eu mantenho: escola cívico-militar, porque entre os melhores do Estado no IDEB são desse modelo, e ensino integral aproveitando a estrutura que já existe. O que muda no primeiro dia é a forma de gerir: acabar com escolha de diretor por indicação política, criar meta e cobrança de resultado pra Coordenadoria, e um critério técnico claro pra decidir onde abrir nova escola cívico-militar, em vez de decidir no gabinete.

revistapontocom – Pode-se dizer que a Educação será prioridade em seu governo? Como um governador pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas? Coronel Busnello – Só vira prioridade de verdade quando some da propaganda e vira rotina de governo: meta por escola, avaliação quatro vezes por ano, bônus pra quem entrega resultado, não pra quem é do partido certo. Foi assim que o Ceará saiu do fundo do poço. E tem uma coisa que pouca gente conecta: escola de tempo integral é segurança pública também. Adolescente ocupado o dia inteiro é um a menos na esquina do tráfico.

revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar no senhor para governador? Coronel Busnello – Porque essa chapa não terceiriza responsabilidade. Eu cuido de segurança, que é onde tenho autoridade de sobra pra falar. O Rafa Luz, pedagogo, com uma vida dedicada à causa da criança, cuida de Educação. Ninguém aqui está aprendendo o assunto às pressas pra campanha. E o plano não é peça de marketing: tem diagnóstico, prazo e fonte de recurso, coisa que quem trabalha em escola sabe reconhecer de longe quando é força de campanha e quando é projeto de verdade.

revistapontocom – Se eleito, que perfil de secretário de Educação o senhor buscaria? Coronel Busnello – Técnico. Ponto final. Alguém com histórico provado de gestão por resultado em rede pública, no modelo que deu certo no Ceará, no Espírito Santo, no Mato Grosso, sem gastar mais do que o Rio já gasta hoje. E aqui não tem negociação: deputado não indica secretário. Na Educação, esse secretário vai responder direto ao Rafa Luz, que toca essa área no governo.

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