Por Marcus Tavares
Programa ‘Esse Rio é Meu’ transforma alunos do CETI Escola Municipal José Anastácio Rodrigues em pesquisadores, criadores e agentes de preservação ambiental em prol dos rios de Queimados
No bairro Distrito Industrial, em Queimados, uma escola do campo tem mostrado que a educação ambiental acontece quando o território se transforma em sala de aula. Cercado pelo Rio Queimados e pelo Rio dos Poços, o CETI – Escola Municipal José Anastácio Rodrigues mobilizou toda a comunidade escolar para desenvolver ações de investigação, conscientização e preservação por meio do programa Esse Rio é Meu.
A unidade escolar, que nasceu do assentamento Campo Alegre, já possui uma forte relação com a terra, a agricultura e a biodiversidade local. Essa identidade foi o ponto de partida para a construção de um projeto interdisciplinar que envolveu estudantes, professores, oficineiros e equipe gestora em uma grande missão coletiva: conhecer, cuidar e dar voz aos rios que fazem parte da vida da comunidade.
A iniciativa foi coordenada pela diretora Janete Primo, em parceria com a orientadora pedagógica Cinthia Estevam e o professor implementador de projetos pedagógicos especiais Jackson Fagundes, responsáveis por articular as ações desenvolvidas ao longo do bimestre junto às oficinas do tempo integral.
As atividades começaram com uma investigação de campo realizada pelas turmas do 3º, 4º e 5º anos. Os estudantes percorreram as margens dos rios para observar as condições ambientais, identificando áreas degradadas, mas também percebendo a resistência da fauna local, que ainda encontra formas de sobreviver apesar dos impactos causados pela ação humana.




A experiência ganhou ainda mais significado com a visita à Unidade de Tratamento de Rios (UTR) do Rio Queimados e do Rio dos Poços. A partir dessa vivência, a equipe escolar definiu uma série de atividades que integraram tecnologia, arte, ciência e cidadania.

A oficina de robótica, conduzida pelo oficineiro André Luiz, realizou um mapeamento do bairro utilizando óculos de realidade virtual e drone, além da produção de um documentário sobre a situação dos rios da região.


Na oficina de meio ambiente, coordenada pelo oficineiro Fábio, os estudantes produziram cartazes de conscientização sobre reciclagem e descarte correto dos resíduos.
A matemática também entrou na proposta de forma lúdica. Sob a orientação da oficineira Mariane, foram criados os jogos “Corrida pelo Rio Limpo” e um jogo educativo voltado à preservação dos rios.

Já a oficina de música, conduzida por Rebeca, transformou a temática ambiental em expressão artística, com a criação de uma canção e de um videoclipe inspirados na importância dos cursos d’água para a comunidade.
A programação criativa também teve espaço no projeto, com o desenvolvimento de um jogo digital na plataforma Scratch, permitindo que os estudantes explorassem, de maneira interativa, conceitos relacionados à preservação ambiental.


Mas a participação dos alunos foi além da produção de materiais pedagógicos. Exercitando a cidadania, as turmas do 3º e 4º anos, junto ao professor Jackson Fagundes, escreveram cartas destinadas ao prefeito do município, apresentando reivindicações e cobrando melhorias para os rios da cidade.

As ações incluíram ainda o plantio de mudas cedidas pela Cedae nas margens do Rio Queimados, a produção de um livro com textos escritos pelos próprios estudantes, pesquisas realizadas com moradores da região e diversas atividades de mobilização da comunidade escolar.


Mais do que estudar os rios, os alunos aprenderam a reconhecê-los como patrimônio coletivo e elemento fundamental para a vida no território. Ao unir conhecimento científico, tecnologia, criatividade e participação social, o projeto mostra que a educação ambiental ganha força quando nasce da realidade dos estudantes e os transforma em protagonistas das mudanças que desejam ver acontecer.

No CETI Escola Municipal José Anastácio Rodrigues, a mensagem é clara: cuidar dos rios é cuidar da própria história, da comunidade e do futuro.




