Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom, participa nesta sexta-feira do painel ‘Que mundo estamos escrevendo? Literatura, educação ambiental e sustentabilidade’ e fará o lançamento oficial do Turi, mascote do programa Esse Rio é Meu.
Por Marcus Tavares
Um novo personagem chega para ajudar a contar histórias sobre rios, natureza e sustentabilidade em Queimados. Nesta sexta-feira, durante a 4ª edição da FLIQ (Feira Literária de Queimados), Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom, idealizadora do programa Esse Rio é Meu e autora da série de livros Turma do Planeta, apresenta oficialmente Turi, um tatu-galinha que passa a integrar o universo da Turma e as ações do Esse Rio é Meu no município. O evento será realizado no Ginásio Metodista, localizado na Rua Vereador Marinho Hemetério de Oliveira.

O lançamento acontece às 14h, durante o painel ‘Que mundo estamos escrevendo? Literatura, educação ambiental e sustentabilidade’, que terá também a participação de Mytse Andrea, mestre em Educação Científica, e mediação de Elizabeth Dantas.

A presença de Turi marca mais um capítulo da parceria entre o programa Esse Rio é Meu e o município de Queimados, iniciada este ano. O personagem foi criado a partir de uma sugestão que surgiu justamente nas conversas com representantes do município. “Uma das possibilidades, que era o Tatu Galinha, foi aventada com o pessoal de Queimados, e eles adoraram”, conta Silvana.
A escolha não foi apenas uma questão de identificação com o território. Segundo ela, Turi abre espaço para abordar diferentes questões relacionadas à relação entre cidade, natureza e água. “Queria um personagem que me desse a oportunidade de falar sobre cidades esponjas, sobre tráfico de animal silvestre e sobre a questão da água. E ele me dava essas possibilidades”, explica.
Tatu-galinha, também conhecido como tatu-de-nove-bandas, Turi é um animal muito simpático, falante, engenhoso e trabalhador. Não enxerga muito bem, mas compensa a limitação com um olfato e uma audição impressionantes. Sua carapaça possui nove faixas móveis, característica que está na origem do nome científico Dasypus novemcinctus.
O nome Turi, de origem tupi e associado a fogo, também está ligado à história que dá ao personagem sua dimensão de herói. Durante um incêndio de grandes proporções, suas longas tocas serviram de abrigo para animais que tentavam escapar das chamas. Turi conseguiu driblar o fogo e salvar muitos deles. A aventura transforma o tatu em um personagem que, além de dialogar com questões ambientais, carrega uma história de solidariedade. A relação com Queimados, portanto, é direta. “Ele é um animal bem típico de lá. Ele vive lá”, destaca Silvana.
Turi, no entanto, não passa a fazer parte da Turma do Planeta, mas do universo. A proposta é que cada município participante do Esse Rio é Meu (Queimados, Japeri, São João de Meriti, São Gonçalo e Rio de Janeiro) tenha seus próprios personagens que convivem com a Turma do Planeta e podem convocá-la para ajudar a enfrentar os desafios ambientais de seus territórios.
No caso de Turi, a Turma do Planeta será chamada para mobilizar a comunidade de Queimados em torno da recuperação e preservação dos rios, mas também para discutir um problema que afeta diretamente o ciclo da água nas cidades: o excesso de asfalto e cimento. “Ele chama a turma para ajudar a mobilizar a comunidade, todo mundo daquele município para salvar os rios, mas também para ajudá-lo com essa questão da quantidade de asfalto e de cimento que estão impedindo que a água penetre e que gere vida no subsolo”, explica Silvana.
A criação dos personagens amplia, assim, a estratégia narrativa da Turma do Planeta. Em vez de serem apenas personagens que chegam de fora para falar sobre meio ambiente, eles passam a estabelecer uma relação com animais e histórias próprias de cada território.
Turi não é o primeiro. O primeiro personagem criado para representar um município foi Orly, a preguiça de Japeri. A ideia surgiu depois que Silvana participou de um evento no município e encontrou a referência a uma preguiça como mascote. “Achei que ia ser legal usar essa ideia para fazer um personagem de Japeri”, lembra.

Orly ajuda a trabalhar, por meio da ficção, uma reflexão sobre os diferentes tempos da natureza. Como preguiça, ela representa um ritmo distinto daquele dos outros animais e também se transforma em trapezista. A personagem, assim como os demais mascotes, terá uma habilidade relacionada à dança ou à música, permitindo sua integração aos espetáculos da Turma do Planeta.
São Gonçalo terá Janaína, ou Jajá, uma garça-rosa, também conhecida como colhereira. A personagem vive nos manguezais do rio Guaxindiba, na Baía de Guanabara, e levará para a narrativa questões relacionadas aos manguezais e à preservação dos ambientes aquáticos.

Já São João de Meriti terá o jacaré Uruelé, ou Uru, apresentado como um “jacaré funqueiro do rolé”. O personagem aprende a sambar e a gingar enquanto desvia da sujeira que é jogada nos rios. Também terá uma história de salvamento: durante um vazamento de óleo na Baía de Guanabara, ele usa o próprio dorso como uma espécie de balsa para ajudar animais ameaçados pelo óleo. A história de Uruelé reforça uma característica que atravessa os personagens: a solidariedade. Assim como Turi salva animais durante um incêndio, o jacaré ajuda a proteger outros seres diante de um desastre ambiental.

O Rio de Janeiro, por sua vez, já tem seus representantes: os próprios personagens da Turma do Planeta. “Todos os personagens da Turma do Planeta são cariocas”, explica Silvana.
Há ainda uma característica comum aos novos personagens. Todos terão alguma habilidade relacionada à dança ou à música, justamente para que possam se integrar aos espetáculos da Turma do Planeta. A proposta é fazer com que cada mascote tenha sua própria identidade, mas também participe de um universo narrativo comum.
A apresentação de Turi em Queimados representa justamente essa aproximação entre literatura, educação e questões ambientais. Ao transformar animais presentes nos territórios em personagens, o programa busca criar histórias capazes de aproximar crianças e comunidades dos rios, dos ecossistemas e dos desafios ambientais que fazem parte de seu cotidiano.



