Nova plataforma Esse Rio é Meu é apresentada em webinar que reúne educação, tecnologia e cidadania

Acesse e veja e reveja o webinar.

Encontro reuniu jornalistas, educadores, especialistas em tecnologia e representantes do poder público e da iniciativa privada para discutir como a nova plataforma Esse Rio é Meu pode ampliar a visibilidade das ações realizadas pelas escolas e aproximar comunidades de seus rios.

Por Marcus Tavares

A nova plataforma Esse Rio é Meu foi apresentada oficialmente durante webinar realizado na terça-feira (25), reunindo representantes da educação, do jornalismo, da tecnologia, do poder público e da iniciativa privada em torno de uma mesma questão: como aproximar as pessoas dos rios de seus territórios e transformar conhecimento em participação cidadã.

Participaram do encontro Ale Santos, escritor e uma das principais vozes do afrofuturismo na nova geração brasileira; Ana Paula Massonetto, subsecretária de Inovação e Projetos Estratégicos da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro; Maíra Pimentel, cofundadora da Tamboro; Matheus Leitão Netto, escritor e jornalista; Tâmara Motta, gerente de Responsabilidade Social da Águas do Rio, concessionária que patrocina o programa; e Silvana Gontijo, idealizadora do Programa Esse Rio é Meu e presidente do planetapontocom. A mediação foi do jornalista Edu Carvalho. A apresentação da plataforma ficou a cargo de Maíra Pimentel.

A nova ferramenta reúne informações sobre as bacias hidrográficas de cinco municípios — Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Japeri e Queimados — e amplia as possibilidades de participação de moradores, estudantes, professores e gestores. Além de conhecer os rios e suas histórias, os usuários poderão acompanhar experiências desenvolvidas pelas escolas e participar da identificação de cursos d’água que ainda não possuem nome reconhecido.

Durante o webinar, as diferentes falas convergiram para uma ideia: a tecnologia ganha sentido quando está a serviço de uma transformação concreta. Para Ale Santos, a plataforma representa mais do que uma ferramenta de protagonismo. Ela envolve cidadania e soberania ao colocar informações relevantes sobre os territórios nas mãos das pessoas. “Essa plataforma, muito além de protagonismo, ela está falando sobre cidadania e sobre soberania”, afirmou. Segundo o escritor, os dados reunidos podem contribuir para a compreensão de questões como mobilidade urbana, saneamento e a relação dos jovens com a educação. Para ele, a possibilidade de utilizar a tecnologia com contexto e função pedagógica abre “um caminho brilhante para o futuro do projeto” e para as crianças envolvidas.

A mesma perspectiva foi compartilhada pelo jornalista Matheus Leitão Netto. Ao conhecer a plataforma, ele destacou o alcance do programa e o potencial de expansão da iniciativa para outras regiões do país. Leitão chamou atenção para a importância das bacias hidrográficas do Centro-Oeste e relacionou a experiência do Esse Rio é Meu aos desafios enfrentados pelas nascentes e pelos rios brasileiros. “Essa plataforma me deixou esperançoso para o futuro”, afirmou. O jornalista também destacou os números apresentados durante o encontro — entre eles, mais de 1.800 unidades escolares envolvidas, dezenas de milhares de docentes e centenas de milhares de estudantes alcançados — e defendeu que a experiência possa ultrapassar as fronteiras do estado do Rio de Janeiro.

“Acho que esse Esse Rio é Meu tem que se espalhar pelo Brasil todo”, disse. Para Leitão, a experiência desenvolvida no Rio de Janeiro pode inspirar iniciativas semelhantes em regiões que enfrentam problemas relacionados à seca, à preservação das nascentes e à recuperação das bacias hidrográficas.

A escola como protagonista

A visibilidade das experiências realizadas nas escolas também foi um dos pontos centrais do encontro. Para Tâmara Motta, gerente de Responsabilidade Social da Águas do Rio, a plataforma permite tornar visível uma transformação que muitas vezes acontece no cotidiano escolar sem receber a devida atenção.

“Todos os dias o professor muda o mundo sem fazer barulho”, lembrou Tâmara, referindo-se a uma frase que, segundo ela, tem sido utilizada em encontros do planetapontocom. Para a gerente, a nova ferramenta ajuda a “tangibilizar” essa mudança ao apresentar as experiências desenvolvidas pelas escolas.

Ela também destacou a relação entre educação e saneamento. Segundo Tâmara, a transformação provocada pela ampliação do acesso ao saneamento básico passa necessariamente pelas crianças e pelos educadores.

“Nosso desafio aqui também é de tangibilizar o saneamento na educação”, afirmou. Para ela, uma criança que adoece menos e consegue frequentar mais a escola passa a ter outras possibilidades de futuro.

Tâmara citou ainda dados apresentados pelo Instituto Trata Brasil sobre os impactos da falta de saneamento na trajetória escolar e destacou o avanço da Águas do Rio na redução do lançamento de esgoto na Baía de Guanabara. De acordo com a gerente, 134 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de chegar à baía, o que representa nada menos do que 53 piscinas olímpicas. A fala reforçou um dos princípios que atravessam o Esse Rio é Meu: o rio não é apenas um tema ambiental, mas também uma porta de entrada para discutir saúde, educação, saneamento, cidadania e qualidade de vida.

Representando a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, a subsecretária de Inovação e Projetos Estratégicos Ana Paula Massonetto também destacou a sintonia entre o programa e as políticas pedagógicas da rede municipal. “É muito importante a gente entender também essa conexão com a educação, como é que a gente traz esses temas urgentes para a nossa vida nesse planeta Terra, para as nossas escolas”, afirmou.

Ana Paula lembrou a expansão do programa na rede municipal, que começou em 2019, com 27 escolas, e passou por um crescimento significativo nos anos seguintes até alcançar todas as escolas da rede em 2024. Para ela, a nova plataforma representa um importante avanço na gestão e no acompanhamento das ações. “Essa plataforma traz uma possibilidade de gestão dessa implementação do programa maravilhosa, magnífica, de visibilidade do que de fato está acontecendo nas nossas escolas e de compartilhamento de boas práticas”, destacou.

Ao apresentar a trajetória do Esse Rio é Meu, Silvana Gontijo recuperou uma pergunta que, segundo ela, está na origem da proposta: “Para que eu vou aprender isso se eu nunca vou usar?”. A pergunta foi feita por Malu, uma menina de 9 anos de uma escola municipal do Rio de Janeiro. Para Silvana, ela sintetizava um desafio maior da educação: encontrar significado para aquilo que é aprendido na escola e estabelecer relações entre o conhecimento e a realidade vivida pelos estudantes.

Foi a partir dessa inquietação que surgiu a proposta de uma educação “com e por meio de causas”. Uma pesquisa realizada pelo planetapontocom identificou a questão ambiental como uma das causas que mais mobilizavam crianças e jovens. A água passou, então, a ser trabalhada como elemento capaz de articular conhecimentos e estimular a transformação do território.

O primeiro piloto do Esse Rio é Meu foi desenvolvido a partir do Rio Carioca, envolvendo escolas localizadas na bacia hidrográfica. A experiência, segundo Silvana, produziu resultados que levaram o planetapontocom a pensar em como transformar aquela prática em uma política pública. “Essa é a nossa meta. Toda inovação do planetapontocom tem como objetivo qualificar mais ainda, inspirar a educação pública brasileira, mas tem como meta se transformar em política pública”, afirmou.

Silvana também destacou a criação de leis municipais relacionadas ao programa e explicou que, ao longo de dois anos e meio, a equipe sistematizou experiências, conteúdos, dinâmicas e metodologias desenvolvidas no projeto para chegar ao que definiu como uma “tecnologia social possível de ser implementada em qualquer lugar”. Nesse processo, a comunicação também ganhou papel estratégico. Silvana ressaltou a importância da revistapontocom na documentação e divulgação das experiências das escolas.

“A revista também é um espelho, uma grande divulgação, uma janela para que cada professor que está trabalhando, cada escola possa ficar visível, possa ser reconhecido e possa inspirar outros e outras escolas e professores a seguirem com essa iniciativa transformadora”, afirmou.

Responsável pela apresentação da nova ferramenta, Maíra Pimentel explicou que a plataforma representa uma etapa de amadurecimento do programa. Cofundadora da Tamboro, empresa de tecnologia educacional que participou do desenvolvimento do ambiente digital, ela destacou a construção da ferramenta como parte de uma trajetória iniciada há mais de uma década.

A proposta é concentrar em um único ambiente informações, conteúdos pedagógicos, experiências das escolas e dados relacionados aos territórios. A plataforma também permite diferentes formas de navegação e consulta, ampliando a possibilidade de conhecer o que está sendo realizado pelas comunidades escolares. A ideia de usar a tecnologia como meio — e não como fim — esteve presente em diferentes momentos do webinar.

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