Por Marcus Tavares
Projeto desenvolvido por professores da 2ª CRE, no GET Tancredo Neves, utiliza Arduino e sensor de umidade do solo para integrar tecnologia, sustentabilidade e alimentação saudável, em sintonia com os princípios do programa Esse Rio é Meu.

Como a tecnologia pode ajudar a economizar água e cuidar melhor das plantas? Foi a partir dessa pergunta que estudantes do 5º ano do GET CIEP Tancredo Neves, da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (2ª CRE), participaram de uma atividade que reuniu robótica, programação e educação ambiental em uma única experiência de aprendizagem.
A proposta foi desenvolvida pelos professores André Máximo Silva do Carmo, ponto focal do GET da 2ª CRE, na parte do suporte tecnológico às escolas do território; Gustavo Bastos, técnico de hortas da Gerência de Educação; e Giselle, professora articuladora do Colaboratório do GET CIEP Tancredo Neves. Juntos, eles elaboraram uma aula baseada na metodologia Maker e na abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), utilizando um sensor de umidade do solo conectado a uma placa Arduino. Além de aproximar os estudantes da robótica educacional, a atividade dialoga com as ações do programa Esse Rio é Meu, ao estimular o uso consciente da água e o cuidado com o solo e os recursos naturais presentes no ambiente escolar.



Durante a atividade, os estudantes conheceram os principais componentes de um circuito eletrônico, como sensor de umidade, buzzer, protoboard, cabos condutores e a placa Arduino. Em seguida, montaram o circuito e realizaram testes comparando dois recipientes: um com terra seca e outro com solo úmido.
Quando o sensor era inserido na terra com a umidade adequada, um sinal sonoro indicava que as condições para o desenvolvimento da planta estavam ideais. A experiência permitiu que os alunos compreendessem, de forma prática, a importância da água para os vegetais e como a automação pode ser aplicada em atividades como a agricultura e as hortas escolares.


Ao utilizar a tecnologia para monitorar a umidade do solo e evitar o desperdício de água, os estudantes puderam compreender, na prática, como pequenas ações contribuem para a preservação dos recursos hídricos. A proposta reforça um dos princípios do programa Esse Rio é Meu: promover a consciência ambiental por meio de experiências concretas que aproximem os alunos do cuidado com os rios, as nascentes e os ecossistemas dos territórios onde vivem.
Servidor da Secretaria Municipal de Educação desde 2011, André Máximo Silva do Carmo diz que a proposta integra o trabalho de fortalecimento da cultura maker e da robótica educacional nas escolas da 2ª CRE. Após atuar como professor articulador dos Ginásios Educacionais Tecnológicos entre 2022 e 2025, período em que participou das Mostras Nacionais de Robótica realizadas em Salvador e Goiânia, ele passou a atuar no gabinete da Coordenadoria Regional de Educação, auxiliando professores na elaboração de projetos envolvendo robótica, Arduino e programação.

“O objetivo é mostrar que a tecnologia pode ser uma ferramenta para resolver problemas reais. Quando o aluno monta um circuito e percebe que ele consegue identificar a umidade do solo, passa a compreender que a robótica está presente em situações do cotidiano, como a agricultura e o cuidado com as plantas. Ao mesmo tempo, ele entende que usar a água de forma consciente também é uma maneira de cuidar do meio ambiente”, explica André Máximo.
Além dos conhecimentos sobre eletrônica e programação, a atividade incentivou o trabalho colaborativo entre os estudantes, que participaram da montagem dos circuitos em grupo, desenvolveram o raciocínio lógico e relacionaram conceitos de Ciências, Tecnologia e sustentabilidade com situações práticas do dia a dia.

Segundo Renata Carneiro, diretora do GET CIEP Tancredo Neves, a incorporação de práticas tecnológicas tem transformado o cotidiano da escola e ampliado o interesse dos estudantes pelas atividades pedagógicas.
“Esse trabalho é muito importante para a escola. Como GET, buscamos incorporar essas práticas ao nosso cotidiano para aproveitar tudo o que a tecnologia pode oferecer. Percebemos os alunos mais interessados, mais presentes e envolvidos. Sempre que surge uma novidade relacionada à tecnologia, eles participam com muito entusiasmo e atenção. É um momento em que observamos um nível de concentração que nem sempre acontece em uma aula convencional”, afirma a diretora.
A experiência não ficou restrita às turmas do 5º ano. Após a montagem do sensor de umidade, os próprios estudantes levaram o equipamento para a horta escolar, onde compartilharam o conhecimento com crianças da Educação Infantil. Durante a atividade, os pequenos acompanharam o plantio, observaram o funcionamento do sensor e aprenderam, de forma prática, como identificar a umidade ideal do solo para o desenvolvimento das plantas.





Como continuidade da ação, as crianças da Educação Infantil plantaram mudas de couve no canteiro da horta da escola utilizando o sensor para verificar a umidade do solo antes da irrigação. O cultivo passou a integrar as atividades de educação alimentar da unidade e, após a colheita, a couve foi utilizada em uma degustação durante a merenda escolar, permitindo que os estudantes acompanhassem todas as etapas do processo, do plantio ao consumo.
Para Renata Carneiro, esse desdobramento demonstra como a integração entre tecnologia, educação ambiental e práticas pedagógicas pode gerar novas experiências de aprendizagem.
“O sensor foi uma atividade muito interessante porque teve continuidade. As crianças do quinto ano levaram o projeto para a horta e desenvolveram a atividade com a Educação Infantil, mostrando na prática como identificar a umidade do solo. Depois, elas plantaram couve no nosso canteiro, acompanharam a umidade da terra com o sensor e, no fim, esse trabalho ainda resultou em uma degustação durante a merenda escolar. É um trabalho que continua rendendo frutos. Com esse interesse e essa participação, percebemos um desenvolvimento muito significativo dos alunos e seguimos ampliando as nossas práticas relacionadas à tecnologia para tornar a aprendizagem cada vez mais significativa”, conclui a diretora.


O programa Esse Rio É Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos corpos hídricos da cidade.



