Por Marcus Tavares
Secretária de Governo Andrea Brito afirma que sustentabilidade orienta desde novos projetos arquitetônicos até a digitalização da gestão pública.

As mudanças climáticas deixaram de ser um tema restrito aos debates ambientais e passaram a influenciar diretamente o planejamento das cidades. Em Japeri, essa realidade já impacta a forma como a administração municipal projeta obras, organiza serviços públicos e desenvolve políticas voltadas à população. A avaliação é da secretária de Governo e também de Projetos e Captação de Recursos do município, Andrea Brito, que defende a integração das questões ambientais em todas as áreas da gestão pública.
Segundo ela, a Secretaria de Governo tem como principal função promover a articulação entre diferentes setores da administração, aproximando políticas públicas, ações sociais e a relação entre Executivo e Legislativo. “A Secretaria de Governo faz a governança dos processos de trabalho, da gestão político-administrativa. Procuramos integrar as políticas públicas, as políticas sociais e a própria política, compartilhando informações para melhorar a vida das pessoas. Também coordenamos a execução de projetos e ajudamos a dar fluxo e prioridade às ações do governo”, explica.
Para Andrea, pensar o meio ambiente deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade para qualquer gestor público. “Hoje o meio ambiente está inserido dentro das políticas mais básicas e fundamentais. As mudanças climáticas estão afetando o dia a dia dos programas de trabalho de todos os setores e da administração pública mais ainda, porque nós cuidamos das pessoas”, afirma.
Um dos exemplos é o projeto de implantação de energia solar em escolas, unidades de saúde e demais prédios públicos. Embora ainda esteja em fase de estudos técnicos, a iniciativa já influencia os projetos arquitetônicos das novas construções. “Hoje, quando projetamos uma nova escola ou um novo equipamento público, já mudamos a arquitetura. Antes os telhados eram inclinados. Agora trabalhamos com telhados planos para que possam receber placas solares e facilitar sistemas de reaproveitamento da água da chuva”, explica.
A proposta busca reduzir custos futuros e tornar os equipamentos públicos mais sustentáveis. Antes da implantação, porém, a prefeitura realiza estudos para avaliar a incidência solar, a capacidade de geração de energia e as condições estruturais de cada local. “Estamos fazendo estudos de viabilidade técnica. Não basta simplesmente instalar placas solares. Cada unidade precisa ser analisada para identificar a melhor solução”, ressalta.
As preocupações ambientais já podem ser observadas também nas novas unidades de saúde que estão sendo construídas no município. Segundo Andrea Brito, as nove novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram projetadas para incorporar sistemas de reaproveitamento da água da chuva e ampliar a permeabilidade do solo.
Na unidade em construção no bairro São Jorge, por exemplo, a água captada pelos telhados será armazenada em um reservatório com capacidade para cerca de quatro mil litros. “Essa água poderá ser utilizada para lavar pisos, regar jardins, abastecer descargas e até auxiliar a comunidade em situações emergenciais de falta d’água. São usos que não exigem água potável e que ajudam a reduzir o desperdício”, explica.
Outra preocupação foi evitar a impermeabilização excessiva do terreno. “Em vez de cimentar tudo, mantivemos áreas verdes e utilizamos brita em parte do estacionamento. Isso permite que a água da chuva continue sendo absorvida pelo solo, reduzindo os riscos de alagamentos e ajudando a alimentar os lençóis freáticos”, destaca.
Para a secretária, a discussão ambiental ainda passa por um processo de amadurecimento dentro da sociedade e das instituições públicas. “Essa transição ainda está acontecendo. Existem diferentes visões sobre a preservação ambiental, mas a realidade está mostrando que precisamos rever muitas coisas. O debate é necessário e precisa acontecer”, afirma.
Ela acredita que iniciativas voltadas às crianças e adolescentes são fundamentais para consolidar uma cultura de sustentabilidade. “Projetos de educação ambiental são sementes que estamos plantando para colher um futuro melhor, mais sustentável e mais tranquilo. Se não fizermos nada agora, os problemas vão se agravar cada vez mais.”
Outra medida adotada pela prefeitura foi a implantação do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que eliminou a tramitação de processos em papel. De acordo com a secretária, a digitalização trouxe ganhos administrativos e também ambientais. “Hoje a prefeitura não processa praticamente nenhum documento em papel. Os processos são abertos e tramitam eletronicamente. Isso reduz o consumo de papel, diminui a geração de resíduos e melhora a eficiência da gestão pública.” A mudança também reduziu a necessidade de espaços físicos para arquivamento de documentos e facilitou o acesso às informações pelos diferentes setores da administração.
Ao refletir sobre os desafios atuais da gestão pública, Andrea Brito defende que a pauta ambiental precisa estar presente em todas as áreas do governo. “Hoje a gente fala de meio ambiente quando discute obras, saúde, educação, saneamento e mobilidade. O meio ambiente impacta todas as ações. O gestor público que não pensa nisso está indo na contramão da realidade.”
Para ela, o compromisso com a sustentabilidade não é apenas uma questão administrativa, mas uma responsabilidade com as futuras gerações. “Precisamos continuar investindo em projetos, escutando a população e construindo políticas públicas que permitam uma cidade mais preparada para os desafios ambientais que já fazem parte do nosso presente.”, finaliza.



