A Baixada Fluminense, historicamente marcada por desigualdades sociais, urbanização intensa e estigmas ligados à exclusão territorial, ganha uma nova leitura no livro Unidades de Conservação da Baixada Fluminense – Gestão, Território e Resistência Ecológica (Letra Capital Editora). A obra, de acesso gratuito, reúne pesquisas, experiências e reflexões que colocam em evidência o papel estratégico das áreas protegidas da região na conservação ambiental, na educação crítica e na construção de políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Organizado por Monika Richter, Guilherme Preato Guimarães, Gisele Medeiros e Suyane Silva, o livro é apresentado como resultado de um esforço coletivo de pesquisadores, docentes, estudantes de pós-graduação e gestores públicos comprometidos com a compreensão das múltiplas dimensões socioambientais presentes no território “baixadense”.
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A publicação se ancora na tradição crítica da Geografia brasileira, dialogando com o pensamento de Milton Santos, para compreender o território não apenas como espaço físico, mas como lugar onde se materializam as contradições sociais, ambientais e econômicas. Nesse contexto, a obra propõe uma análise que articula investigação empírica, reflexão teórica e compromisso ético-político com a justiça ambiental.
Ao longo dos capítulos, os autores mostram como a Baixada Fluminense pode ser entendida também como um espaço de resistência ecológica e reinvenção territorial. A região, pressionada por processos urbanos e industriais e por impactos sobre remanescentes da Mata Atlântica, aparece como um importante laboratório para compreender os conflitos entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental.
A primeira parte do livro reúne estudos voltados às políticas de conservação em escala municipal e metropolitana, enquanto a segunda aprofunda o debate sobre a Reserva Biológica do Tinguá, considerada uma das principais Unidades de Conservação do estado do Rio de Janeiro. Os textos discutem os desafios da gestão ambiental em áreas periurbanas e os impactos das dinâmicas urbanas sobre os ecossistemas protegidos.
A obra também destaca a importância da Educação Ambiental crítica e da Educomunicação como ferramentas de participação social na gestão socioambiental. Entre as experiências apresentadas estão a criação da Estação Socioambiental Tinguá e o desenvolvimento de jogos didáticos voltados à sensibilização ecológica e à formação cidadã.
“Mais do que uma reunião de textos, esse livro é um testemunho do vigor intelectual e da responsabilidade social dos pesquisadores da Baixada Fluminense. Ele traduz, em sua pluralidade de vozes, a potência do diálogo entre ciência e território, entre universidade e sociedade, entre conservação e emancipação. Que as reflexões aqui reunidas contribuam para o fortalecimento das políticas públicas ambientais e para a consolidação de uma geografia comprometida com a sustentabilidade, a equidade e a vida”, destacam os organizadores do título.



