Douglas Ruas

revistapontocom – Como o senhor avalia a qualidade da Educação pública no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro? Douglas Ruas – O Rio é a segunda maior economia do país e está em penúltimo lugar no Ideb. Só esse dado já responderia à pergunta, mas podemos classificar a Educação no estado como uma vergonha. Temos o maior gasto por aluno do país, portanto, não se trata de um problema de falta de dinheiro, mas de gestão. De planejar melhor, de oferecer um ensino de qualidade, onde o jovem entre na escola e perceba que aquele lugar é onde ele vai construir um futuro melhor.

revistapontocom – Quais são os dez principais desafios da Educação pública no âmbito do Governo do Estado do Rio de Janeiro? Douglas Ruas – Combater a evasão escolar, melhorar a segurança nas escolas, oferecer uma perspectiva de futuro aos estudantes com ensino profissionalizante, oferecer uma educação de qualidade e inclusiva, que atenda também os alunos neurodivergentes, identificar e auxiliar os alunos que chegam da rede do Ensino Fundamental com dificuldades de aprendizado, capacitar e valorizar o profissional de Educação, melhorar a infraestrutura das escolas, incluindo acesso à tecnologia e laboratórios modernos.

revistapontocom – O senhor conhece o dia a dia das escolas públicas estaduais e de seus professores ou é algo distante de sua realidade? Douglas Ruas – Conheço e tenho grande admiração pela dedicação com que eles exercem sua profissão. São profissionais que se dedicam de corpo e alma ao ofício de ensinar e devem ser respeitados pelos governantes e pelos alunos.

revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento? Podemos ter acesso? Douglas Ruas – No nosso programa de governo há nossas diretrizes para a Educação, como o alerta precoce de evasão pela frequência e pelas notas, busca ativa de cada estudante em risco e caminhos flexíveis de conclusão para quem precisa trabalhar. A Segurança Pública faz parte do nosso projeto, com segurança no entorno e dentro das escolas. Escola Para Elas: equipes capacitadas para reconhecer e encaminhar casos de violência, com profissionais de referência nas regionais e canal para as famílias; permanência escolar de mães adolescentes com acompanhamento pedagógico; e dignidade menstrual com distribuição de absorventes em toda a rede estadual. Há também a ampliação das escolas cívico-militares. Ao contrário do que pensa uma parte da população, não se trata de uma escola militar. Os professores não são substituídos por militares, ou seja, não há uma militarização da Educação. Os militares são da reserva e estão nas escolas unicamente para manter a ordem e o respeito mútuo entre alunos e professores. Num ambiente que dê tranquilidade para o professor ensinar e o aluno aprender. O lugar do professor é sagrado e jamais deve ser substituído. Para provar a eficácia, enquanto na média geral o Rio é o penúltimo do Ideb, se pegássemos apenas a média das escolas cívico-militares que temos no estado, o Rio estaria à frente do Paraná e seria o primeiro lugar da lista. Mas, para além desse modelo, vamos reestruturar todas as escolas, levando ensino profissionalizante. É possível fazer isso, integrando a Faetec ao processo. Também teremos aulas de reforço de Português e Matemática para os alunos que chegarem da rede municipal com dificuldades. É mais comum do que se pensa, por conta da aprovação automática, como acontece na rede municipal da capital. Os alunos são aprovados, mas não aprendem. Isso vai se refletir lá na frente, quando chegarem ao Ensino Médio na rede estadual. Clique aqui e confira todas as informações da campanha

revistapontocom – Se eleito, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade? Douglas Ruas – Como dito na resposta anterior, o programa envolve vários eixos. Alguns podem ser implantados imediatamente, como a segurança no entorno das escolas. Outros demandam a criação de um cronograma, mas é possível se estruturar para ter, o mais rápido possível, as aulas de reforço e começar o planejamento conjunto com a Faetec. Bem como a gestão por resultados e a valorização de quem ensina: premiação para escolas e bonificação de professores. Mentoria e aproximação dos alunos da rede com as universidades públicas.

revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro que merece ter continuidade? O que é preciso mudar de imediato? Douglas Ruas – Temos uma visão muito crítica da aprovação automática, que é o modelo praticado pela prefeitura da capital e não foi adotado pela rede estadual. É muito fácil dizer que está bem no Ideb, com nota alta, aprovando todo mundo. O Ideb leva em conta o percentual de alunos aprovados e o nível de aprendizado. Se a prefeitura maquia um desses critérios, aprovando todo mundo, cria-se uma distorção. E esse aluno chega na rede estadual com baixo grau de aprendizado. O resultado é o que vemos hoje, com o estado do Rio como um dos piores do país na lista do Ideb.

revistapontocom – Pode-se dizer que a educação será prioridade em seu governo? Como um Governador pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas? Douglas Ruas – A Educação é prioridade total. Sempre. Não se desenvolve um estado, uma sociedade, sem Educação. Estamos há décadas patinando, enquanto vemos os exemplos de outros países que investem pesado em Educação e, com isso, geram riqueza e bem-estar social. Não basta apenas destinar recursos. O Rio já cumpre o mínimo constitucional obrigatório, mas precisa direcionar melhor esse dinheiro, fazendo com que a escola seja um lugar de formação cidadã. O jovem precisa enxergar a escola como uma ponte para um futuro melhor. Um lugar onde ele vai construir seu futuro. Se conseguirmos isso com cada jovem que entra na rede estadual, estaremos construindo um estado melhor e um país melhor.

revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar no senhor para Governador? Douglas Ruas – Porque eu tenho um projeto de Educação de verdade para o Rio. De valorização dos professores, de levar ensino técnico para as escolas, de não maquiar os dados do Ideb com a falácia da aprovação automática, como faz atualmente a prefeitura do Rio. Eu quero que o aluno aprenda de verdade. Que ganhe ferramentas para ser um adulto que pense criticamente e garanta seu lugar no mercado de trabalho.

revistapontocom – Se eleito, que perfil de secretário de educação o senhor buscaria? Douglas Ruas – Deve ser uma pessoa comprometida com o aprendizado. Que abrace nosso projeto de levar uma Educação de qualidade para todo o estado do Rio.

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