Com histórias, observação do território e atividades práticas, estudantes do CIEP Avenida dos Desfiles II, no Catumbi, participam do programa Esse Rio é Meu e ampliam o olhar sobre o Rio Papa-Couve e os cuidados com a água.
Por Marcus Tavares
No Catumbi, no Rio de Janeiro, uma descoberta feita dentro da própria escola ajudou a transformar a relação dos estudantes com o território onde vivem. Sob o CIEP Avenida dos Desfiles II (503), passa o Rio Papa-Couve, curso d’água que nasce em Santa Teresa, atravessa os bairros do Catumbi e da Cidade Nova, passa sob a Marquês de Sapucaí e deságua no Canal do Mangue. A presença do rio, que durante muito tempo poderia passar despercebida no cotidiano, tornou-se ponto de partida para conversas, histórias, atividades práticas e reflexões sobre meio ambiente, sustentabilidade e preservação entre estudantes e professores.

Foi nesse contexto que o Programa Esse Rio é Meu chegou à escola, em julho de 2025. Embora todas as turmas tenham participado de conversas sobre o tema, as turmas 43 e 52 foram as que desenvolveram atividades diretamente relacionadas ao programa. Segundo a professora articuladora Izabel Cristina Vieira de Sousa, a proposta foi construída a partir de um objetivo central: ampliar a conscientização ambiental e estimular o cuidado cotidiano com o território. E neste sentido, o programa passou a ser desenvolvido por meio de diferentes estratégias, envolvendo histórias, imagens, observação do bairro e investigação sobre o caminho percorrido pelo rio.



O trabalho começou pelo território conhecido pelos próprios estudantes. Fotos do bairro do Catumbi foram utilizadas como recurso para estimular a observação e o reconhecimento do lugar onde vivem. A turma 43, ao ler a história Um Curumin, Uma Canoa, de Yaguarê Yamã, descobriu a existência do rio. “Na contação da história com a presença de elementos da natureza surgiu a conversa sobre os rios, onde vivem os peixes e que devemos ter cuidados na preservação da água. Foi neste momento em que contei para as crianças que sob nossa escola passa um rio. Levei eles até o local [uma espécie de ralo da escola] onde se consegue observar a passagem do rio. Ficaram muito interessados”, recorda a professora.



A história ganhou, então, uma relação direta com a realidade dos estudantes. O que poderia ser apenas uma informação transformou-se em uma experiência concreta de descoberta do território. Interessados com a ideia de que um rio corria sob seus próprios pés, os estudantes construíram uma canoa e um remo, vivenciando elementos presentes na narrativa e aproximando a história do espaço em que vivem. A atividade articulou imaginação, conhecimento e experiência, permitindo que as crianças estabelecessem uma conexão entre o conteúdo trabalhado e o território da escola.
O trabalho desenvolvido também envolveu temas como sustentabilidade, proteção ambiental e conhecimento do território. A proposta buscou mostrar aos estudantes que o cuidado com o meio ambiente não depende apenas de grandes ações, mas também de pequenas atitudes incorporadas ao cotidiano, como a limpeza das ruas e o descarte adequado de resíduos.


Nesse sentido, de acordo com a professora, conhecer o Rio Papa-Couve significa também compreender o caminho da água e perceber como as ações realizadas nas ruas e nos espaços próximos à escola podem interferir no ambiente. O rio deixa de ser um elemento distante para fazer parte da realidade dos estudantes.
A participação também tem ultrapassado os limites da sala de aula. Professores, estudantes e familiares vêm participando das atividades, ampliando as possibilidades de diálogo sobre o tema dentro e fora da escola. Um dos desdobramentos do trabalho é a atividade relacionada à escolha do nome do rio, que integra a proposta de reconhecimento e valorização do curso d’água presente no território. Para os estudantes, identificar, conhecer e nomear o rio representa também uma maneira de reconhecer sua existência e sua importância para o lugar onde vivem.


É justamente essa possibilidade de revelar o que está próximo, mas nem sempre é visto, que dá significado ao trabalho realizado pelo CIEP Avenida dos Desfiles II. Ao investigar o rio, os estudantes também investigam o próprio bairro e começam a perceber o território de outra maneira. Localizado na Avenida dos Desfiles II, número 503, no Catumbi, o CIEP atende atualmente 134 estudantes.
Para a professora Izabel, a expectativa da escola é que o projeto contribua para uma “maior conscientização”. Mais do que conhecer o nome, o percurso ou a história de um rio, a intenção é que os estudantes desenvolvam uma percepção mais atenta sobre o ambiente em que vivem e compreendam que suas atitudes cotidianas também fazem parte da preservação.
O programa Esse Rio É Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos corpos hídricos da cidade.



