Planetapontocom participa de abertura da 6ª Mostra Municipal de Multilinguagens debate o protagonismo feminino na educação

A mostra reuniu educadores e artistas para dar início aos preparativos de um dos maiores eventos culturais da rede.

Por Eduardo Carvalho

6ª Mostra Municipal de Multilinguagens

A Escola de Formação Paulo Freire (EPF), no Centro do Rio, tornou-se palco de um encontro potente e transformador na tarde desta quinta (26). O lançamento da 6ª Mostra Municipal de Multilinguagens (MML), promovida pela Secretaria Municipal de Educação (SME-RJ), reuniu educadores e artistas para dar início aos preparativos de um dos maiores eventos culturais da rede.

Com o tema “Mulheres: Raízes, Vozes e Asas”, o evento focou na instrumentalização de professores para a criação de projetos que valorizam o protagonismo estudantil através das artes.

A primeira “Roda de Conversa” do ciclo contou com a presença de cinco mulheres de trajetórias singulares: a atriz Dadá Coelho, a musicista Desirée Mayr, a educadora Joana Oscar, a cineasta Petra Costa, além da jornalista, escritora e presidente do Planetapontocom, Silvana Gontijo.

Silvana trouxe para o debate sua vasta experiência na interseção entre comunicação e educação. Relembrando os desafios de sua carreira no jornalismo, ela destacou como a resiliência feminina moldou sua visão de mundo: “Eu cheguei a editora muito rapidamente, mas era a única mulher em um mar de homens. Cada vez que eu pedia a palavra, era uma conquista. Essa é a contingência de uma mulher da minha geração, e minha luta hoje é para que não seja mais tão difícil para as meninas que estão vindo”, afirmou.

Sobre o papel da MML (Mostra Municipal de Multilinguagens) e a educação, Silvana reforçou que a arte e o projeto pedagógico devem servir para dar “vontade de pertencer” ao aluno: “O que buscamos é o protagonismo real. Quando o aluno olha para um problema, seja um rio poluído ao lado da escola ou um desafio artístico, e diz ‘isso é meu’, ele deixa de ser espectador para ser o agente da transformação. A educação acontece quando o currículo faz sentido no território em que a criança vive.”

Ela ainda enfatizou a importância do professor como o pilar dessa mudança cultural: “Não podemos esquecer que é o professor quem segura essa transformação lá na ponta diariamente. Essa Mostra é uma forma de inspirar esse professor para que ele ajude o aluno a encontrar sua própria voz, suas raízes e suas asas.”

A atriz e comediante Dadá Coelho emocionou o público ao relatar como a arte foi sua “válula de escape” contra o preconceito. Vinda do Nordeste para o Rio, ela enfrentou barreiras estruturais, mas encontrou na literatura e no humor sua força de expressão. “Eu só estou aqui hoje por via da arte”, declarou Dadá, ressaltando que sua trajetória é prova de que a criatividade pode romper as barreiras impostas pela sociedade.

A cineasta Petra Costa, conhecida por obras que premiadas, trouxe para a roda de conversa uma reflexão sobre o papel da imagem na construção da cidadania. Para ela, o ambiente escolar é um território crucial para o fortalecimento do espírito democrático. “A democracia é um estado de espírito que precisa ser cultivado diariamente, e a escola é o solo onde essas raízes mais profundas são lançadas”.

A Profª. Drª. Joana Oscar trouxe uma reflexão pedagógica profunda sobre a relação entre mestre e aprendiz, defendendo que a educação artística não deve ser impositiva, mas sim um processo de reconhecimento.
“O professor não pode forçar o aluno. O papel do educador é contribuir para que o material pertença ao aluno, para que ele se sinta representado em sala de aula”, pontuou Joana.

Representando a música, Desirée Mayr compartilhou sua vivência na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Ela detalhou como seu trabalho na orquestra busca conectar a música clássica às novas gerações da rede pública, utilizando a harmonia musical como uma ferramenta de escuta e diálogo social.

A Mostra Municipal de Multilinguagens (MML) da SME-RJ é um evento anual que incentiva e exibe projetos artísticos de dança, música, teatro, artes visuais, cinema e literatura desenvolvidos por estudantes e professores. O objetivo é que, ao longo do ano, as escolas possam explorar a identidade feminina e as narrativas que compõem a rede municipal de ensino.

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