Pequenos guardiões da natureza: EDI Antônio Raposo Tavares transforma o cuidado com o meio ambiente em experiência cotidiana

Programa Esse Rio é Meu mobiliza crianças, famílias e comunidade.

Por Marcus Tavares

Pequenos guardiões: Programa Esse Rio é Meu mobiliza crianças, famílias e comunidade da Pequena África em ações que unem sustentabilidade, pertencimento e valorização do território.

No Espaço de Desenvolvimento Infantil Antônio Raposo Tavares, localizado na Gamboa, região histórica da Pequena África, no Rio de Janeiro, aprender sobre a natureza vai muito além das salas de aula. Desde que aderiu ao Programa Esse Rio é Meu, em 2023, a unidade incorporou a formação para a sustentabilidade ao seu projeto pedagógico anual, envolvendo professores, crianças, famílias e parceiros do território em experiências que incentivam o cuidado com o meio ambiente e fortalecem o vínculo das crianças com o lugar onde vivem.

Neste ano, todas as oito turmas da unidade participam das atividades do programa. A iniciativa dialoga diretamente com o projeto pedagógico que tem como tema “Natureza e Sustentabilidade” e recebe o título “Guardiões da Natureza: explorar, brincar e preservar”. A proposta busca despertar, desde a primeira infância, atitudes de respeito, cuidado e responsabilidade por meio de experiências lúdicas, investigativas e significativas.

Segundo a professora articuladora Maria Aparecida Alves Neves, conhecida como Cida, a chegada do programa fortaleceu um trabalho que já fazia parte da identidade da escola e ampliou as possibilidades de aprendizagem. “O Programa Esse Rio é Meu veio fortalecer e complementar nosso Projeto Pedagógico Anual, o Plano das Dimensões e todas as as ações planejadas para este ano letivo. Tem sido muito bem recebido por toda a comunidade escolar e ampliado as experiências das crianças com a natureza e com o território.”

As ações foram organizadas durante os encontros de planejamento pedagógico, quando professores e equipe gestora definiram estratégias para integrar a temática da sustentabilidade às práticas desenvolvidas ao longo do ano letivo. Além das atividades realizadas com as crianças, a proposta envolve as famílias e parceiros da região da Pequena África, fortalecendo o diálogo entre escola e comunidade.

No primeiro semestre, as famílias participaram de uma pesquisa sobre a presença de lixo nas ruas do bairro e, especialmente, na Rua do Propósito, onde está localizado o EDI. As imagens enviadas serviram como ponto de partida para rodas de conversa, registros e reflexões das crianças sobre os impactos do descarte inadequado de resíduos e a importância da preservação dos espaços públicos.

As experiências também incluíram contação de histórias, conversas sobre os cuidados com a natureza, exploração de áreas verdes do território e atividades inspiradas no projeto Rio, Capital da Matemática. Jogos e brinquedos confeccionados com materiais recicláveis e elementos naturais enviados pelas famílias passaram a integrar as propostas pedagógicas, demonstrando, na prática, como pequenas atitudes podem contribuir para um futuro mais sustentável.

Uma das experiências de destaque foi desenvolvida pela turma EI-41, da professora Monique Farias. A partir da leitura do livro Piabinha do Rio das Velhas, as crianças refletiram sobre a importância dos rios para a vida e observaram a Baía de Guanabara, nas proximidades do Museu do Amanhã, um espaço que faz parte do cotidiano da comunidade escolar.

Durante a visita, os estudantes identificaram a presença de resíduos nas águas e conversaram sobre como as ações humanas interferem na conservação dos rios e mares. Em seguida, produziram desenhos representando dois cenários: o rio como ele é visto atualmente e o rio que gostariam de encontrar no futuro.

A atividade permitiu que expressassem suas percepções e expectativas por meio da arte, desenvolvendo sensibilidade, imaginação e protagonismo ao compreenderem que cuidar da natureza também significa cuidar da própria história e do território onde vivem.

Na turma EI-31, conhecida como Sementinha, as professoras Luciane Timóteo e Priscila de Matos utilizaram o livro O Peixinho e o Sonho para aproximar as crianças da realidade do Canal do Mangue. Por meio de dobraduras, pinturas e colagens, os estudantes representaram o canal e seus principais pontos de referência, estabelecendo relações entre a narrativa e o espaço urbano que conhecem diariamente. As rodas de conversa estimularam a observação do entorno da escola e promoveram reflexões sobre o sonho de um canal com águas limpas, fortalecendo a percepção ambiental e a criatividade das crianças.

Fundado há mais de 60 anos, o EDI Antônio Raposo Tavares atende atualmente 143 crianças, distribuídas em duas turmas de Maternal, em horário integral, e seis turmas de Pré-Escola, em horário parcial. A unidade é dirigida pela professora Ana Paula Oliveira Guimarães, tendo como diretora-adjunta a professora Andreia da Silva Esteves.

Além das ações voltadas à sustentabilidade, a escola desenvolve projetos relacionados à educação socioemocional, à inclusão escolar e à educação para as relações étnico-raciais. Todas essas iniciativas valorizam a história, a cultura e a memória da Pequena África, fortalecendo a identidade das crianças e o sentimento de pertencimento à comunidade.

Para a equipe gestora, o Programa Esse Rio é Meu está plenamente alinhado ao projeto pedagógico da unidade, que compreende o ser humano como parte integrante da natureza e incentiva a construção de relações de cuidado, respeito e responsabilidade com o ambiente. “Queremos que as crianças compreendam que fazem parte da natureza e que suas atitudes têm impacto no lugar onde vivem. Quando aprendem a cuidar do rio, da rua, da praça e do bairro, também aprendem a cuidar das pessoas, da comunidade e de si mesmas”, finaliza a professora articuladora Cida.

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