Escola Municipal Adérito Gomes Gouveia, em São João de Meriti, transforma desafios climáticos em aprendizado

Professora Maria Gabriella conta detalhes.

Projeto desenvolvido com estudantes do 6º e 7º ano aborda os impactos da urbanização, dos alagamentos e das chuvas e incorpora o programa Esse Rio é Meu às atividades pedagógicas da Escola Municipal Adérito Gomes Gouveia.

Por Marcus Tavares

Na Escola Municipal Adérito Gomes Gouveia, em São João de Meriti, falar sobre meio ambiente é também falar sobre o território onde vivem os estudantes. Com 453 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, a escola vem desenvolvendo um projeto de educação climática que encontrou no programa Esse Rio é Meu uma oportunidade para aproximar ainda mais os conteúdos trabalhados em sala de aula da realidade da comunidade.

A iniciativa envolve diretamente estudantes do 6º e 7º ano e foi incorporada pela direção e pela orientação pedagógica às ações da escola. O trabalho nasceu a partir de um projeto de educação climática que já estava em desenvolvimento, tendo como eixo a relação entre “urbanização e alagamento em São João de Meriti”.

Segundo a equipe escolar, a proposta foi organizada em quatro etapas, permitindo que os estudantes avancem gradualmente na compreensão dos fenômenos ambientais e, ao mesmo tempo, reflitam sobre os problemas presentes no próprio município. O primeiro momento aborda o ciclo da água; o segundo, a atmosfera e a chuva; o terceiro reúne questões relacionadas ao solo, à agricultura e à urbanização; e o quarto é dedicado à busca de soluções de curto, médio e longo prazo.

É justamente nessa última etapa que o programa Esse Rio é Meu ganha papel de destaque. “A proposta é utilizar o conhecimento construído ao longo do ano para olhar de maneira mais concreta para os rios e para o território onde a escola está inserida”, explica a equipe da escola envolvida com o programa: Maria Gabriella, professora de Ciências; Leon Ursus, orientador pedagógico; Helen Magalhães, orientadora educacional; Sheila dos Santos Alves, diretora-adjunta; e Elisa Rodino Alves Teixeira Moura, diretora-geral da unidade.

As reuniões entre a direção, a equipe pedagógica e os professores foram importantes para definir os caminhos da iniciativa. A proposta passou a articular diferentes áreas do conhecimento e a criar situações em que os estudantes não apenas recebessem informações, mas também produzissem materiais e participassem de atividades práticas. Professores de Geografia, Português e Artes, além da intérprete de Libras, vêm se envolvendo com as diversas etapas do projeto.

Esse trabalho interdisciplinar amplia as possibilidades de aprendizagem. A participação de professores de diferentes disciplinas permite que temas como água, chuva, solo, urbanização e mudanças climáticas sejam trabalhados a partir de diferentes perspectivas. A presença da intérprete de Libras reforça ainda a preocupação da escola em garantir a participação de todos os estudantes nas atividades propostas. Os alunos já criaram campanha de reciclagem, lixeiras de coleta seletiva e filtros caseiros, bem como o mascote do programa: o jaquerido!

Essa participação já começa a aparecer no cotidiano escolar. De acordo com a equipe, os alunos demonstram maior interesse especialmente nas aulas com projeções, nas atividades práticas e nas oficinas de música e produção de cartazes. O envolvimento também está relacionado à própria metodologia adotada: ao longo das etapas, os estudantes produzem objetos que posteriormente compõem sua avaliação. “Os alunos acabam se tornando mais ativos e protagonistas durante as aulas”, destaca a equipe.

Mais do que abordar conceitos ambientais, a iniciativa procura estabelecer uma relação entre o conteúdo escolar e a vida cotidiana. Para a equipe da Adérito Gomes Gouveia, o território não é apenas o espaço físico no qual a escola está localizada, mas um lugar marcado por histórias, relações sociais e cultura. “O objetivo é usar o lugar onde a escola se encontra para tratar do meio ambiente enquanto local de morada de toda a comunidade, com história e cultura própria”, afirma a equipe.

A intenção é que esse olhar contribua para formar estudantes capazes de compreender os problemas ambientais de seu entorno e, principalmente, de participar da construção de alternativas. A escola espera que o projeto ajude a transformar o conhecimento em atitude, fortalecendo o papel dos alunos como sujeitos capazes de intervir na realidade. “Tornar os alunos e a comunidade escolar cidadãos que ativamente buscam soluções para enfrentar os novos desafios climáticos” é, segundo a equipe, um dos principais objetivos do projeto.

A proposta está alinhada à própria identidade da Escola Municipal Adérito Gomes Gouveia, que tem entre seus princípios a formação de cidadãos conscientes de sua identidade, de sua história e de seu papel na sociedade. Respeito, autonomia, responsabilidade, inclusão, cidadania, diversidade e cooperação estão entre os valores defendidos pela unidade.

Nesse contexto, o cuidado com a natureza aparece associado a outros compromissos da escola, como a valorização da permanência dos estudantes, a inclusão, o respeito às diferenças e o fortalecimento da parceria entre escola, família e comunidade.

Ao aproximar educação climática, currículo escolar e território, a escola busca fazer com que os estudantes percebam que as questões ambientais não estão distantes de sua realidade. Os rios, as chuvas, os alagamentos, o solo e a forma como a cidade é ocupada fazem parte do cotidiano e também podem se transformar em objetos de estudo, reflexão e ação.

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