Por Marcus Tavares
Projeto desenvolvido na Escola Municipal Dr. Francisco Manuel Brandão une literatura, arte e reciclagem para mobilizar alunos em torno das ações do programa Esse Rio é Meu.
Como seria um peixe vivendo nos rios daqui a mais de quatro décadas? Essa pergunta deu origem ao projeto “Peixe 2067”, desenvolvido pela oficineira de Pintura e Desenho Patricia Simas com estudantes da Escola Municipal Doutor Francisco Manuel Brandão, em Queimados. Integrada às ações do programa Esse Rio é Meu, a iniciativa utiliza literatura, artes visuais e reciclagem para estimular a reflexão sobre o futuro dos rios e a responsabilidade das novas gerações na preservação dos recursos hídricos.

A ideia nasceu da vontade de abordar a conscientização ambiental por um caminho diferente. Em vez de apresentar apenas conceitos sobre preservação, Patricia criou uma história na qual um peixe vindo do ano de 2067 viaja ao presente para pedir ajuda às crianças. O personagem busca sensibilizar estudantes, professores e famílias sobre a necessidade de proteger os rios hoje para garantir que a vida aquática continue existindo no futuro.
Para dar vida ao personagem, a professora escreveu um livro e realizou a leitura da história em sala de aula. Durante a atividade, os estudantes passaram a discutir os impactos da poluição e da degradação ambiental sobre os recursos hídricos.
Um dos momentos que mais marcou a construção do projeto aconteceu durante a conversa com a turma do 5º ano. Segundo Patricia Simas, o aluno Lucas observou que, se os rios continuassem sendo degradados, talvez nem chegássemos a 2040 com água potável. A partir dessa reflexão, surgiu uma nova provocação: se nada fosse feito agora, talvez o “Peixe 2067” nem tivesse a chance de existir.
A proposta ganhou novas dimensões quando os estudantes foram convidados a imaginar como gostariam que fossem os rios do futuro. Cada criança desenhou uma escama do peixe, representando esse cenário desejado. As ilustrações passaram a compor a cabeça da escultura, enquanto a parte inferior recebeu um revestimento produzido com lixo eletrônico arrecadado pelos próprios alunos.

A mobilização ultrapassou os muros da escola. Estudantes de outras unidades da rede municipal, como as escolas São José e Joaquim de Freitas, também aderiram à iniciativa, recolhendo resíduos eletrônicos em casa e na comunidade para contribuir com a construção do peixe.
Além da escultura, os alunos participaram da criação da capa do livro que conta a história do personagem. A ilustração vencedora será utilizada na publicação original, ampliando o protagonismo dos estudantes em todas as etapas do projeto.

Para Patricia Simas, o “Peixe 2067” foi concebido para despertar um compromisso coletivo com o futuro. “Eu queria fugir do óbvio e criar algo que realmente fizesse diferença na vida dos alunos, da comunidade e do meio ambiente. O peixe veio do futuro para pedir ajuda às crianças, às famílias e aos professores. A ideia é que possamos cuidar dos rios hoje para que, em 2067, ele possa existir de verdade. E esse trabalho continua: o peixe volta para a escola, segue recebendo lixo eletrônico e lembrando a todos da importância de reciclar e proteger nossos rios”, afirma.



