Por Marcus Tavares
Reconexão com os rios: Secretaria Municipal de Ambiente, Mudanças do Clima e Bem-Estar Animal destaca o papel das escolas e da comunidade no programa Esse Rio é Meu

Diante de um histórico marcado por enchentes recorrentes, poluição hídrica e intensa pressão urbana sobre seus cursos d’água, o município de São João de Meriti busca reverter um cenário de degradação ambiental por meio da educação e do engajamento social. Com uma das maiores densidades populacionais da Baixada Fluminense e pouca disponibilidade de áreas verdes, a cidade convive com rios e córregos que, ao longo do tempo, foram descaracterizados, ocupados irregularmente e transformados, muitas vezes, em canais de escoamento de resíduos.
É nesse contexto que surge o programa Esse Rio é Meu que acaba de ser lançado pela prefeitura. Trata-se de uma iniciativa que investe na reconexão da população, especialmente de crianças e jovens, com os rios urbanos. A proposta vai além da conscientização ambiental: busca estimular o sentimento de pertencimento, incentivar a participação comunitária e promover uma nova leitura do território, na qual os corpos hídricos deixam de ser invisibilizados e passam a ser reconhecidos como parte fundamental da paisagem, da história e do futuro da cidade.
confira como foi o lançamento do programa na cidade
À frente da Secretaria Municipal de Ambiente, Mudanças do Clima e Bem-Estar Animal, o secretário Antônio Marcos Barreto destaca que o programa também se estrutura como uma ferramenta de gestão pública. Ao incentivar estudantes a observar, registrar e analisar a realidade dos rios em seus bairros, a iniciativa contribui para a produção de diagnósticos ambientais locais, capazes de subsidiar políticas públicas mais eficientes e conectadas com as demandas reais do território.
Em entrevista à revistapontocom, o secretário detalha os principais desafios enfrentados pelo município, as estratégias adotadas pelo poder público e o papel central das escolas e da comunidade na construção de uma cultura de preservação ambiental. Para ele, afirmar que “Esse Rio é Meu” é mais do que um slogan: é um chamado à responsabilidade coletiva e à reconstrução do vínculo entre cidade, natureza e cidadania.
Confira:

revistapontocom – São João de Meriti enfrenta histórico de enchentes e poluição hídrica. Como o programa Esse Rio é Meu que acaba de chegar pretende dialogar com esse cenário?
Antônio Marcos Barreto – São João de Meriti é um município altamente urbanizado e com uma rede hidrográfica que sofreu, ao longo de décadas, com ocupação desordenada, impermeabilização do solo e lançamento irregular de resíduos. O programa Esse Rio é Meu dialoga diretamente com esse cenário ao promover educação ambiental, monitoramento comunitário e maior conscientização sobre a importância dos rios urbanos. Ao aproximar estudantes e comunidades desses corpos hídricos, buscamos fortalecer a percepção de que a preservação dos rios também contribui para reduzir problemas como enchentes, assoreamento e degradação ambiental.
revistapontocom – Quais são hoje os principais desafios relacionados aos rios e córregos do município?
Antônio Marcos Barreto – Os principais desafios envolvem a poluição por resíduos sólidos e esgoto, o assoreamento dos cursos d’água, a ocupação irregular nas margens e a baixa percepção da população sobre a importância desses rios para o equilíbrio ambiental da cidade. Como o município possui grande densidade populacional e pouca área verde, os cursos d’água acabam recebendo grande pressão urbana.
revistapontocom – Como o poder público vem atuando na recuperação ou preservação desses corpos hídricos?
Antônio Marcos Barreto – A Secretaria de Ambiente vem atuando em diferentes frentes. Entre elas estão ações de educação ambiental, iniciativas de arborização urbana, articulação com outros órgãos para limpeza e manutenção de canais e rios, além da participação em instâncias de gestão de bacias hidrográficas. Também buscamos ampliar projetos que aproximem a população do debate ambiental, pois a preservação dos rios depende tanto de políticas públicas quanto do engajamento da sociedade.
revistapontocom – Como a participação das escolas pode fortalecer políticas de preservação desses rios?
Antônio Marcos Barreto – As escolas têm um papel fundamental na formação de uma nova consciência ambiental. Quando os estudantes passam a conhecer o rio que existe no seu bairro, compreender sua importância e identificar problemas ambientais, eles se tornam multiplicadores de informação dentro das famílias e das comunidades. Esse processo cria uma geração mais preparada para cuidar dos recursos naturais e participar das decisões sobre o território.
revistapontocom – O município pretende usar diagnósticos produzidos pelos estudantes como instrumento de planejamento ambiental?
Antônio Marcos Barreto – Sim. Um dos objetivos do programa é justamente incentivar a produção de diagnósticos locais, observações e registros feitos pelos estudantes sobre a realidade dos rios próximos às suas escolas ou comunidades. Esses materiais podem contribuir como subsídio para o poder público compreender melhor os problemas ambientais em escala local e orientar futuras ações de planejamento e gestão ambiental.
revistapontocom – O programa pode estimular maior participação da comunidade nas pautas ambientais?
Antônio Marcos Barreto – Sem dúvida. Quando a comunidade passa a reconhecer o rio como parte do seu território e da sua identidade, aumenta o interesse em participar das discussões e soluções. O programa busca justamente estimular essa participação, promovendo diálogo entre escolas, moradores e poder público, e fortalecendo a governança ambiental local.
revistapontocom – O que representa, simbolicamente, afirmar que “Esse Rio é Meu” em um município como o seu?
Antônio Marcos Barreto – Essa afirmação representa pertencimento e responsabilidade. Durante muito tempo, os rios urbanos foram vistos apenas como canais de drenagem ou áreas degradadas. Quando dizemos “esse rio é meu”, estamos reafirmando que esses corpos hídricos fazem parte da história, da paisagem e do futuro da cidade. É um convite para que cada cidadão se reconheça como guardião do ambiente em que vive.
revistapontocom – Quais resultados concretos vocês esperam ver ao final do primeiro ano de implementação?
Antônio Marcos Barreto – Esperamos ampliar o conhecimento dos estudantes sobre os rios da cidade, estimular ações locais de preservação e fortalecer a participação comunitária nas pautas ambientais. Também esperamos reunir informações e diagnósticos que possam contribuir para o planejamento ambiental do município e para futuras ações de recuperação e valorização desses corpos hídricos.
revistapontocom – De que forma essa iniciativa contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?
Antônio Marcos Barreto – O programa dialoga diretamente com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ao promover a conscientização sobre a importância da qualidade da água; o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), ao incentivar a valorização dos rios urbanos; e o ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima), ao estimular práticas de adaptação e resiliência ambiental no território.
revistapontocom – O programa Esse Rio é Meu vai se somar a outros programas da Secretaria de Meio Ambiente?
Antônio Marcos Barreto – Sim. O programa dialoga com outras iniciativas da Secretaria, especialmente ações de educação ambiental, arborização urbana e ampliação da infraestrutura verde do município. Recentemente, por exemplo, implantamos um programa de arborização que já resultou no plantio de cerca de 1.000 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, contribuindo para melhorar o microclima urbano e fortalecer os serviços ecossistêmicos da cidade. A integração dessas iniciativas fortalece uma visão mais ampla de sustentabilidade, na qual rios, áreas verdes e participação social fazem parte de uma mesma estratégia de melhoria da qualidade ambiental em São João de Meriti.



