Por Marcus Tavares
Na Escola Municipal Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, em Triagem, o Programa Esse Rio é Meu fortalece ações sobre sustentabilidade, leitura e cidadania, envolvendo estudantes da Educação Infantil ao 5º ano e a Turma do Planeta.

Localizada no bairro Carioca, em Triagem, Zona Norte do Rio de Janeiro, a Escola Municipal Ministro Carlos Alberto Menezes Direito encontrou na construção da consciência socioambiental uma oportunidade de integrar diferentes projetos pedagógicos e aproximar os estudantes da realidade do território onde vivem. Desde 2024, a unidade participa do Programa Esse Rio é Meu.
Como a escola está situada na área próxima ao Canal do Cunha, o Esse Rio é Meu encontrou um contexto bastante significativo para discutir a relação entre a população e os patrimônios hídricos urbanos. No entanto, por questões de segurança e logística, não foi possível realizar visitas ao canal. A solução foi adaptar a metodologia utilizando recursos digitais, como imagens de satélite e ferramentas como o Google Maps, permitindo que os estudantes conhecessem o território sem sair da escola.

A partir dessa contextualização, o programa tornou-se o eixo articulador de diversas atividades desenvolvidas pelas turmas. Em parceria com o projeto De Olho no Óleo, por exemplo, a escola promoveu campanhas de arrecadação de óleo de cozinha usado, oficinas para famílias sobre a produção de sabão ecológico e uma gincana envolvendo os estudantes. Também foi produzido um mural colaborativo reunindo propostas das diferentes turmas sobre como contribuir para a preservação do meio ambiente.
“O projeto movimentou toda a escola. Cada turma desenvolveu pequenas ações voltadas ao cuidado com o território, à preservação dos recursos naturais e à melhoria da qualidade de vida da comunidade. O Esse Rio é Meu foi o projeto integrador que conectou todas essas iniciativas”, destaca Rita de Cássia dos Anjos, coordenadora pedagógica da unidade.

Em 2026, o trabalho ganhou um novo formato. Os livros da coleção Turma do Planeta foram distribuídos entre diferentes séries, permitindo que cada grupo desenvolvesse atividades adequadas à sua faixa etária. As histórias servem como ponto de partida para discussões que envolvem Ciências, Geografia, História e produção textual.
Cada turma constrói seu próprio olhar sobre os personagens, as histórias e os desafios ambientais apresentados nas publicações. Os resultados são reunidos em um mural permanente do projeto, que vem sendo atualizado ao longo do ano letivo.

Além disso, a escola continua promovendo atividades relacionadas ao descarte correto de resíduos, à reutilização de materiais e ao cuidado com os espaços coletivos, sempre relacionando essas práticas ao cotidiano dos estudantes e às transformações que podem ser promovidas dentro da própria comunidade.
Embora a participação das famílias ainda enfrente limitações em razão da vulnerabilidade social da comunidade, a coordenadora observa um forte envolvimento dos alunos e dos professores. “A participação das crianças e da equipe pedagógica é muito boa. As famílias enfrentam muitas dificuldades sociais, o que acaba impactando o envolvimento em algumas atividades, mas seguimos buscando aproximá-las da escola.”

Para Rita, discutir sustentabilidade significa também falar sobre qualidade de vida, pertencimento e responsabilidade coletiva. A realidade vivida pela comunidade evidencia essa relação diariamente. “Aqui existem muitos problemas provocados pelo descarte irregular de lixo. Quando chove, os bueiros entopem, a água invade as ruas e, muitas vezes, chega até a escola. Já tivemos que atrasar o início das aulas por causa dos alagamentos. É importante que as crianças entendam que pequenas atitudes têm impacto na vida de todos.”
Com cerca de 330 estudantes da Educação Infantil (Pré-I) ao 5º ano do Ensino Fundamental, a escola está em processo de implantação do ensino em tempo integral. Inserida em uma comunidade marcada por desafios sociais e ambientais, a unidade desenvolve diversas iniciativas voltadas para a formação integral dos alunos.

Segundo a coordenadora pedagógica Rita de Cássia dos Anjos, que atua há nove anos na escola e há quatro exerce a função de coordenação, o trabalho desenvolvido busca responder às necessidades da comunidade por meio de diferentes parcerias e projetos permanentes. “São crianças com diferentes necessidades, e por isso valorizamos muito as parcerias. Temos projetos de alfabetização, leitura, educação antirracista, atividades com a Nave do Conhecimento e, agora, iniciaremos também o projeto Girafinhas da Paz, em parceria com o Fórum do Méier, para trabalhar temas como violência, bullying e racismo. O Programa Esse Rio é Meu se integra a todas essas ações”, finaliza.
O programa Esse Rio É Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos corpos hídricos da cidade.



