Herdeiros do futuro é o nome do projeto desenvolvido pela professora Giselle Milione. Diferentes ações foram desenvolvidas na EM Presidente Médici em torno do Esse Rio é Meu.
Por Marcus Tavares
Um espaço em frente à escola que sofria com o descarte irregular de lixo ganhou um novo significado a partir de um projeto desenvolvido por estudantes. Localizada na Rua Tibagi, em Bangu, a Escola Municipal Presidente Médici, passou a trabalhar a questão do saneamento, dos resíduos e dos impactos do descarte inadequado a partir de uma iniciativa inicialmente batizada de “Herdeiros do futuro”, desenvolvida no contexto do programa Esse Rio é Meu.

A proposta surgiu a partir de um projeto extensionista da faculdade da professora responsável pela iniciativa, Giselle Milione. A ideia era desenvolver um trabalho relacionado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 e 7, com foco em saneamento e em questões ambientais. O problema já estava presente no cotidiano da escola: a quantidade de lixo descartado em frente à unidade impactava o bairro, especialmente nos dias de chuva.
O primeiro passo foi buscar materiais para transformar o local. Foram solicitadas doações a lojas de material de construção, jardinagem e borracharia. A escola conseguiu pneus e terra. Também foi solicitada à Comlurb a remoção do lixo. No mesmo dia, com a participação dos estudantes, foi construído um canteiro no espaço.

Os alunos recolheram folhas secas no pátio da escola, utilizadas como base para os pneus, e ajudaram a pintá-los com tinta spray. As mudas utilizadas eram provenientes do próprio terreno da escola. Depois, uma placa com a mensagem “proibido descartar lixo” foi fixada na árvore do canteiro.
A intervenção foi acompanhada de ações de conscientização. Os estudantes participaram de uma campanha nas redes sociais, produzindo posts com fotos do canteiro e mensagens sobre a importância de não descartar lixo no local. Os melhores posts receberam prêmios. Os alunos também distribuíram panfletos na saída da escola, pedindo aos moradores que não jogassem resíduos na área.

Durante o trabalho, os estudantes fizeram ainda um levantamento sobre os perigos relacionados ao descarte irregular de lixo, considerando os impactos sobre a população, a água e o solo, além dos riscos de doenças.
Segundo a professora, a campanha ganhou maior engajamento depois da ação no Instagram, com a participação de alunos de diferentes turmas. As famílias não participaram diretamente do projeto, mas foram convidadas a compartilhar os posts nas redes sociais.

O trabalho não teve uma atividade específica de culminância. A proposta foi desenvolvida gradualmente e, com o passar dos dias, a escola observou uma redução na quantidade de lixo descartado no local. Para a professora, tanto o canteiro quanto a placa contribuíram para intimidar o descarte irregular.
A experiência também revelou um dos desafios do trabalho. Mesmo depois da intervenção, ainda foram registrados casos de descarte de lixo por moradores. Para os estudantes, ficou o aprendizado sobre os perigos do descarte irregular, a importância do trabalho em equipe e a dificuldade de consolidar novos hábitos.

Além da redução do lixo, a professora aponta como resultados a diminuição do odor desagradável em frente à escola e dos vetores de doenças.

Localizada em uma região que reúne áreas residenciais e comerciais de Bangu, a escola desenvolve outros projetos relacionados a teatro, leitura e educação ambiental. Para a professora, a experiência proporcionou uma oportunidade de trabalhar com os estudantes fora da sala de aula e de desenvolver um projeto interdisciplinar.

“Significou uma oportunidade de trabalhar com os alunos fora da sala de aula em projetos interdisciplinares”, afirma Giselle. Para ela, essa é uma perspectiva de educação que deveria ser mais presente no país.




