Família em parceria: uma caminhada de amor pela educação

Em casa e no trabalho: o poder transformador da escola pública.

Especial Dia do Professor: Cristiane Fonseca e Rahyssa Blois compartilham as influências, as memórias e os valores que aproximam duas gerações parceiras e dedicadas à educação.

Por Marcus Tavares

Ser professora pode ser uma escolha individual, mas também pode se transformar em uma herança que atravessa gerações. Na família de Cristiane Fonseca e Rahyssa Blois, mãe e filha compartilham mais do que a profissão: dividem o amor pela educação, o compromisso com os estudantes e a crença no poder transformador da escola pública.

Cristiane Santos da Fonseca e Rahyssa Blois.

No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a história das duas revela como experiências, exemplos e aprendizados se entrelaçam na construção de uma trajetória profissional. Cristiane encontrou inspiração nas professoras que marcaram sua infância e, mais tarde, tornou-se referência para a filha, que seguiu seus passos no magistério. Uma escolha que nem sempre foi compartilhada: quando criança, Rahyssa dizia que jamais seria professora.

Cristiane Santos da Fonseca e Rahyssa Blois.

Em conversa com a revistapontocom, as duas relembram o início da carreira, refletem sobre as mudanças na escola e falam sobre os desafios e as alegrias de ensinar. Entre as histórias e as trocas cotidianas, uma certeza permanece: apesar das dificuldades e das transformações ao longo do tempo, o afeto, a dedicação e a esperança na educação continuam sendo parte essencial da profissão.

Cristiane Santos da Fonseca

Cristiane Santos da Fonseca – Coordenadora pedagógica do GET Lins de Vasconcelos, no Complexo do Lins. 25 anos na Rede Municipal do Rio de Janeiro. Pedagoga, bacharel e licenciatura. Pós graduada em Educação Infantil e Desenvolvimento. Cursos de Extensão na área da EJA, na área Étnico Racial e artigos escritos sobre esses temas.

Rahyssa Blois – Professora de Educação Física, no Complexo do Alemão, na Escola Municipal Mourão Filho. Tem 3 anos na Rede Municipal do Rio de Janeiro. Graduada em Comunicação Social e Educação Física (licenciatura e bacharelado). Pós gradução na área.

Confira a entrevista:

revistapontocom – Como começou a história das professoras na família? Cristiane Fonseca – Nossa família não é de professoras, mas eu, desde criança, sempre amei brincar de ser professora, e só essa brincadeira e montar quebra-cabeça eram minhas paixões. Desde pequena, dizia a todos que seria professora porque achava muito legal o que minhas “tias” faziam. Então, acho que, nessa parte, fui a pessoa que iniciou esse processo (risos). Rahyssa Blois – Que eu me lembre, não tínhamos professores na família. Minha mãe, acredito, tenha sido uma das primeiras na família. Depois dela, vieram mais professores: eu, minha tia e uma prima que também é professora.

revistapontocom – O que levou ou influenciou você a ser professora? Cristiane Fonseca – Tive professoras maravilhosas que fizeram parte da minha caminhada e me inspirei muito nelas quando me tornei professora. Tia Amara, no Jardim de Infância; tia Ana, no C.A.; tia Umari, que dava Português; tia Leda, que era minha explicadora. Pessoas que me mostraram um magistério tão divertido e lúdico numa época em que o tradicional prevalecia em muitas escolas. Elas foram meus grandes exemplos e as “culpadas” por eu amar dar aula. (risos) Rahyssa Blois – Sem dúvidas, a minha mãe! Rs. Ela sempre foi minha inspiração não só na profissão, mas na vida. E o concurso para o qual passei e no qual atualmente atuo como professora foi ela quem me inscreveu. Então, a influência dela foi total! (risos).

Cristiane Santos da Fonseca

revistapontocom – Qual é a lembrança mais marcante do seu início na profissão? Cristiane Fonseca – Quando assinei minha posse na Prefeitura do Rio de Janeiro e fui trabalhar na comunidade de Vigário Geral, onde aprendi que o amor e o “afetar” os alunos eram peças-chave para conseguir algo. Rahyssa Blois – Quando uma amiga me mandou uma mensagem avisando que meu nome tinha saído no Diário Oficial e, assim, toda a minha trajetória se iniciava.

revistapontocom – O que mudou na escola e na maneira de ensinar de uma geração para outra? Cristiane Fonseca – No início, era mais complicado pela falta de experiência, mas éramos mais respeitadas. Na parte do aprendizado, nesses 25 anos de Rede, passei por muitas mudanças na forma de ensinar, no currículo e na avaliação. Muitas coisas melhoraram muito, mas, infelizmente, algumas acabaram atrapalhando um pouco. Porém, tivemos muito mais coisas positivas do que negativas. Rahyssa Blois – Muitas coisas mudaram, tanto positivamente (uma escola mais acolhedora, mais plural) quanto negativamente (desvalorização dos professores). Acho que, principalmente, vamos nos atualizando para conseguir acessar esses alunos e, consequentemente, passar nossos conhecimentos e ensinamentos.

Rahyssa Blois.

revistapontocom – E o que não mudou? Que características da profissão continuam as mesmas? Cristiane Fonseca – O amor que tenho pelo que faço não mudou, o brilho no olhar, a felicidade em cada conquista dos alunos. Essa parte, com certeza, ainda não mudou e, se perdesse esse brilho e deixasse de acreditar numa educação pública de qualidade, não estaria mais na profissão. Acho que a importância do professor na vida do aluno é uma das questões que nunca mudarão, pois, mesmo com a IA e a tecnologia, o olhar, o ouvir, o auxiliar e o carinho humano nunca mudarão, e nenhuma IA poderá suprir isso. Rahyssa Blois – A importância do nosso trabalho, sendo a base de tudo para todos.

revistapontocom – Vocês costumam trocar experiências sobre a escola em casa? Já aprenderam alguma coisa umas com as outras? Cristiane Fonseca – Sim. Conversamos sobre nosso dia a dia, até porque sempre tivemos esse costume, além de dar sugestões no dia a dia de cada uma para melhorarmos. Sempre aprendo muito com o “olhar diferenciado” e algumas sugestões que minha filha traz. Rahyssa Blois – Sim, minha mãe está sempre me dando ideias de novas atividades ou projetos. Ela me avisa quando vê algum curso interessante para que eu possa fazer. E, quando tenho alguma dificuldade, também trocamos ideias para tentar solucionar o que for preciso.

revistapontocom – Existe alguma história curiosa ou engraçada envolvendo a profissão que sempre volta às conversas da família? Cristiane Fonseca – Temos algumas, sim. Eu, então, tenho muitas nestes tantos anos de profissão, mas uma que me chama a atenção sempre que brinco muito com minha filha é que, quando ela era criança, tinha ciúmes dos alunos comigo. Quando eu falava que ela ia ser professora, ela sempre dizia: “Deus me livre, eu nunca vou ser professora”. E, quando a adolescência chegou, foi mudando de opinião e ama a profissão tanto quanto eu. (risos). Rahyssa Blois – Não me lembro de nada engraçado. Só mesmo de coisas do dia a dia.

revistapontocom – O que você mais admira na maneira como a outra exerce a docência? Cristiane Fonseca – Sou a mãe mais orgulhosa do mundo em ver a dedicação e o carinho que ela tem com os alunos. Ela, como eu, trabalha com alunos de comunidade e tenta fazer o melhor para eles. Pela forma como tenta conduzir suas aulas, ela tem a vantagem de ser a “tia legal” de Educação Física e Roda de Leitura, mas você vê o carinho com que fala dos alunos e a preocupação quando percebe que algum aluno não está bem, ou até mesmo quando tem conflito na comunidade e fica preocupada se estão seguros. Rahyssa Blois – A dedicação dela, que, mesmo com todas as dificuldades, não desiste e se mantém sempre dando o seu melhor. Minha mãe é uma professora que realmente acredita no poder da educação e faz de tudo para que seja eficaz e tenha resultados positivos.

revistapontocom – Se pudesse definir em uma palavra o legado das professoras da sua família, qual seria? Por quê? Cristiane Fonseca – Dedicação. Temos um grande amor pela profissão e fazemos tudo pensando no melhor para os alunos, para que possam ter perspectiva de vida e serem felizes. Rahyssa Blois – Dedicação. Mesmo com as dificuldades, não desistimos.

revistapontocom – Se pudesse deixar uma mensagem para a próxima geração de professoras da família, o que diria? Cristiane Fonseca – Que nunca desistam, mesmo nos momentos mais difíceis, que são muitos, porque muitas vezes fazemos uma diferença enorme na vida de nossos alunos e nem percebemos. Somos pessoas que podemos ajudar a fazer um mundo melhor. Rahyssa Blois – Mesmo com dias difíceis, não podemos desistir. Precisamos acreditar na educação e que dias melhores virão, pois a educação é a base de tudo!

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